No dia 18 de março de 2025, uma tragédia ocorreu no Espírito Santo: três policiais militares jogaram o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, do alto da Segunda Ponte. O corpo do jovem foi encontrado apenas no dia seguinte. No início deste mês, a Justiça retirou o sigilo do caso, permitindo que todos tomassem conhecimento da brutalidade cometida — inclusive por meio das imagens que registraram a ação dos policiais.
Meu amigo e colega colunista Henrique Herkenhoff fez, recentemente, uma abordagem psicológica sobre o fato. Hoje, trago uma reflexão complementar: a importância da liderança em momentos como este.
Sabemos que a imensa maioria dos profissionais da segurança pública é composta por pessoas dedicadas, comprometidas com a proteção da sociedade e com o respeito às leis. Por isso mesmo, casos extremos e inaceitáveis como o que vitimou Kaylan precisam ser exemplarmente conduzidos e punidos. Não apenas para garantir justiça, mas também para preservar a credibilidade das instituições.
Nessas horas, o silêncio não é uma opção. É fundamental que as lideranças se manifestem — e o façam com clareza, firmeza e empatia. Foi exatamente o que fez o Secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, ao atender prontamente a imprensa e prestar os devidos esclarecimentos à sociedade. Em sua fala, ele foi contundente:
“Não tem justificativa nenhuma para aquele comportamento. Mesmo no caso de qualquer outra hipótese, eles deveriam também ter prestado socorro àquele rapaz que estava se debatendo na água. Então, de uma maneira ou de outra, o caso tem uma prova muito robusta... É importante dizer para a mãe e para a sociedade que não teremos impunidade neste caso. Os responsáveis já estão presos e a gente espera que a justiça seja feita".
É disso que precisamos. De líderes que assumam responsabilidades, estabeleçam os limites éticos esperados e reafirmem, com atitudes, os valores que devem nortear o serviço público e, em especial, as forças de segurança. O chamado tone from the top — ou tom dado pela alta gestão — é decisivo para construir uma cultura institucional de integridade e responsabilidade.
Além disso, quando o assunto é segurança pública, é imperativo que as forças policiais tenham corregedorias fortes, atuantes e independentes, capazes de expurgar aqueles que não se alinham aos princípios da legalidade e da ética. Da mesma forma, é preciso investir continuamente na formação dos policiais, por meio de academias sérias e comprometidas com a construção de profissionais preparados para proteger, mas também para respeitar os direitos humanos.
Atualmente, os policiais envolvidos na morte de Kaylan estão presos. Que esse caso sirva como lição para que erros tão graves não se repitam. Nós, que somos policiais, temos uma missão quase divina: cuidar da segurança das pessoas. Além disso, precisamos ser exemplos de integridade e, acima de tudo, honrar a reputação e a história não apenas de nossas instituições, mas de todos os bravos policiais que nos antecederam e que, muitas vezes, deram a vida acreditando nessa nobre missão.