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Violência contra a mulher

Casos de abusadores como o DJ Ivis são um alerta às mulheres

Enquanto não conseguimos evoluir como sociedade e acabar com essa cultura de machismo e violência, é imperioso que as mulheres estejam atentas aos mínimos sinais de todo e qualquer tipo de violência

Publicado em 24 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

24 jul 2021 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

Violência; violência conta a mulher; relacionamento abusivo
É importantíssimo que as mulheres estejam atentas e vigilantes aos menores sinais de abuso Crédito: Anete Lusina/Pexels
Casos de violência contra mulheres têm sido, recorrentemente, noticiados pela imprensa nacional. Os números divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública coincidem com a recorrência de divulgações. Desde 2016 que o número de vítimas de feminicídio (mulheres que foram assassinadas em razão de serem do sexo feminino) aumenta a cada ano. Em 2016, 929 mulheres foram assassinadas em todo o país. Em 2020, esse número saltou para 1.350. São índices inaceitáveis e que indicam a ponta de um iceberg de um país onde o machismo e a cultura da violência ainda imperam em muitas residências.
A realidade se apresenta ainda mais dramática ao analisarmos o número de mulheres que denunciaram alguma ocorrência de violência doméstica em 2020. A compilação de dados fornecidos por 26 Estados brasileiros indica que 230.160 (duzentos e trinta mil, cento e sessenta) mulheres denunciaram algum caso de abuso ou violência. O Ceará foi o único Estado a não informar seus números.
Coincidentemente, partiu do Ceará o mais recente escândalo de abuso e violência praticados por um marido contra sua esposa. Há alguns dias, o produtor musical e DJ Iverson de Souza Araujo, o DJ Ivis, foi preso por ter agredido sua ex-mulher, Pamella Holanda.
No último dia 12, Pamella divulgou uma mensagem que, pelo teor e consequências que podem ter na vida de outras mulheres que sofrem com violência doméstica, merece ser reproduzida. Pamella escreveu em sua conta no Instagram: “Eu me calei por muito tempo! Eu sofria com minha filha, sem apoio até dos que diziam estar ali pra ajudar, que eram coniventes e presenciavam tudo calados, sem interferir com a desculpa que eu tinha que aguentar calada porque era o ‘jeito dele’, era esse o ‘temperamento dele’ e que se eu quisesse viver com ele, teria que me sujeitar e ser submissa. Não se calem!!! Não se calem jamais!!! Eu não vou me calar!”.
A mensagem passada por Pamella tem grande importância e merece ser lida cuidadosamente não apenas pelas mulheres, mas pela sociedade brasileira em geral. As vítimas de abusos e de violência não podem se calar diante de agressões covardes. É fundamental que a polícia, o Ministério Público e o Judiciário sejam informados e atuem diligentemente em cada caso de agressão.
Por fim, acredito que a mensagem passada por Pamella mereça um adendo. É importantíssimo que as mulheres estejam atentas e vigilantes aos menores sinais de abuso, desde o início de seus relacionamentos. Normalmente, a violência física é precedida por episódios de violência moral, controle excessivo, ciúme doentio, etc.
Aos primeiros sinais de comportamentos desse tipo, o melhor caminho é se afastar e não pagar para ver. Em 2020, 1.350 mulheres foram vítimas de homicídio. Certamente, muitas delas (se não a maioria) tiveram uma história de repetidas agressões e maus-tratos.
Enquanto não conseguimos evoluir como sociedade e acabar com essa cultura de machismo e violência, é imperioso que as mulheres estejam atentas aos mínimos sinais de todo e qualquer tipo de violência. Somente assim conseguiremos reduzir esses índices que deixam famílias inteiras esfaceladas e que envergonham a todos.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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