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Assassinados

George Floyd e Milena Gottardi: diferenças e semelhanças entre os crimes

Em comum entre os dois crimes, a covardia, a frieza e a brutalidade dos executores

Publicado em 01 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

01 mai 2021 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

George Floyd e Milena Gottardi: vítimas de crimes brutais
George Floyd e Milena Gottardi: vítimas de crimes brutais Crédito: Montagem/ Reprodução
Há quase um ano, no dia 25/05/2020, o mundo assistiu atônito às notícias sobre o assassinato do americano George Floyd pelo policial Derek Chauvin, em Minneapolis, nos EUA. As cenas do homicídio foram filmadas por inúmeros espectadores e todos puderam acompanhar o ocorrido nas redes sociais e imprensa.
Por longos 8 minutos e 46 segundos, Derek Chauvin se ajoelhou sobre o pescoço de George Floyd, lhe causando a morte por asfixia. Antes de morrer, Floyd repetiu, enquanto aguentou, a frase “I can’t breathe” ("eu não posso respirar", em tradução livre). No dia dos fatos, o então policial Derek Chauvin já contava com 18 queixas de abusos.
No dia 14/09/2017, portanto, há quase quatro anos, a médica Milena Gottardi foi covardemente assassinada a tiros quando saía do hospital onde trabalhava, em Vitória, no Espírito Santo. Conforme apurado pela polícia, o marido da vítima, Hilário Frasson, teria, juntamente com seu pai, contratado três pistoleiros para matarem Milena. Para a consecução do crime, pagaram o montante de dois mil reais. O motivo: Hilário, que era policial, não aceitava a separação pretendida por sua esposa.
Em comum entre os dois crimes, a covardia, a frieza e a brutalidade dos executores. Por quase nove minutos, Derek Chauvin, o policial americano, teve tempo e oportunidade de tomar uma decisão diferente e poupar a vida de George Floyd. Preferiu seguir na tortura, asfixiando sua vítima até a morte. Hilário, o policial brasileiro, não teve a mesma coragem de Derek. Sua covardia, no entanto, foi bem maior. Hilário teve todo o tempo do mundo para resolver seus problemas conjugais de outra maneira. Preferiu pagar dois mil reais para que pistoleiros matassem a mãe de suas duas filhas, ainda crianças.
Na semana passada, os Estados Unidos acompanharam o fim do julgamento de Derek Chauvin. Menos de um ano após o bárbaro crime, Derek foi considerado culpado pelo júri. A sentença, que pode chegar a 40 anos de prisão, deve sair nos próximos dias. Obviamente, nada devolverá a vida de George Floyd.
A punição aplicada em tempo razoável, no entanto, significa muito! Em primeiro lugar, conforta a família e os amigos da vítima, que veem a justiça sendo feita. Em segundo lugar, passa uma mensagem a toda a sociedade de que o crime não compensa e, mesmo sendo você um policial, jamais poderá estar à margem da lei, sob pena de ir parar na cadeia como outro cidadão qualquer. Por último, contribui para diminuir a sensação de impunidade do país.
O caso capixaba, por sua vez, ainda segue sem data para realização do júri. Se por um lado é certo que Hilário permanece preso preventivamente, por outro é bem verdade que ainda não temos sinal de punição definitiva para o bárbaro crime cometido pelo policial e seus comparsas. Na semana passada, aliás, o advogado de Hilário prometeu se dirigir aos tribunais superiores brasileiros em busca da transferência do foro do julgamento.
Quase quatro anos se passaram desde a morte de Milena. Quatro anos sem que suas filhas, sua família, seus amigos e a sociedade capixaba recebam a mensagem de que, apesar de sua morte, ainda pode-se confiar na justiça. O excesso de recursos disponíveis na legislação brasileira e a lentidão dos processos têm contribuído para aumentar a sensação de impunidade que aflige todos os brasileiros. Uma mudança em nossa legislação é urgente! Estamos, todos nós, sendo asfixiados pela impunidade reinante.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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