*Artigo publicado em coautoria com Renan Sales, advogado, mestre em Direito e ex-Juiz do TRE/ES
O Espírito Santo vive um marco histórico no fortalecimento da representatividade feminina no Sistema de Justiça. Em um cenário tradicionalmente dominado por homens, as mulheres capixabas vêm, com talento, dedicação e competência, ocupando espaços de liderança e transformando o modo de fazer Justiça.
No Ministério Público do Estadual, três mulheres já chegaram ao posto máximo de chefia: Catarina Cecin Gazele, Elda Márcia Spedo e Luciana Gomes Ferreira de Andrade. Catarina Cecin foi pioneira — não apenas no Espírito Santo, mas em toda a região Sudeste — ao se tornar a primeira mulher Procuradora-Geral de Justiça, abrindo caminho para uma geração de promotoras e procuradoras que hoje exercem funções estratégicas em defesa da sociedade.
Elda Márcia e Luciana Andrade deram continuidade a essa trajetória, reafirmando que sensibilidade e firmeza podem e devem caminhar juntas na condução de uma instituição essencial à sociedade.
Em 2020, a delegada Gracimeri Gaviorno (atual vice-prefeita da Serra) tornou-se a primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Espírito Santo. Até 2023, ela liderou a corporação, tradicionalmente composta por um público majoritariamente masculino, marcando um período de destaque na história da instituição.
Na advocacia, o mesmo espírito de renovação ganha forma com a advogada Érica Neves, primeira mulher a presidir a OAB Espírito Santo. Sua eleição representa passo importante na promoção da igualdade de gênero dentro da própria estrutura da advocacia, valorizando o protagonismo feminino em todos os espaços de atuação profissional. Sob sua liderança, a OAB/ES consolida-se como voz plural, que reflete a diversidade da classe e da sociedade que defende.
No Poder Judiciário, a história também se reescreve. Em mais de um século de existência, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo conta, pela primeira vez, com uma mulher à sua frente: a desembargadora Janete Vargas Simões. Sua ascensão ao cargo de presidente simboliza o reconhecimento à excelência e à dedicação de tantas magistradas que, ao longo dos anos, ajudaram a construir uma Justiça mais humana, acessível e comprometida com o equilíbrio social.
Essas lideranças femininas não representam apenas conquistas individuais, mas traduzem o amadurecimento de uma cultura institucional que, pouco a pouco, se abre à pluralidade e, sobretudo, à meritocracia, reconhecendo o valor da igualdade como condição essencial para o fortalecimento da democracia e das instituições.
O exemplo de Catarina, Elda, Luciana, Gracimeri, Érica e Janete inspira novas gerações de mulheres — advogadas, delegadas, promotoras, juízas, servidoras e estudantes — a acreditarem que o mérito e a vocação podem, sim, romper barreiras históricas. Em um Estado que, em que pese o esforço das polícias e do Governo, ainda é marcado pela violência contra a mulher, a presença de lideranças femininas comprometidas e competentes nos enche de esperança em um futuro não apenas mais igualitário, mas também mais seguro e humano.