Na manhã de 5 de julho de 1989, a jornalista capixaba Maria Nilce foi assassinada com três tiros na frente de uma academia na Praia do Canto, em Vitória. A filha da jornalista presenciou o bárbaro crime que tirou a vida de sua mãe de apenas 48 anos de idade. As investigações apontaram que o crime foi motivado pelas denúncias que Maria Nilce fazia em seu jornal, revelando um intricado esquema de tráfico de drogas promovido por policiais.
Seis pessoas foram condenadas pelo brutal homicídio de Maria Nilce. Um empresário, três policiais, um piloto de avião e um pistoleiro foram apontados como responsáveis pela trama que tirou a vida da jornalista.
Histórias de mortes violentas e que contam com a participação do crime organizado e de pistoleiros se repetem ao longo dos anos no Espírito Santo. Apenas para citar outro exemplo, vale lembrar o caso do juiz Alexandre Martins.
Com apenas 32 anos de idade, Alexandre Martins foi covardemente assassinado no dia 24/03/2003, quando chegou na academia que frequentava em Itapoã, Vila Velha. A exemplo do que aconteceu com Maria Nilce, o jovem juiz foi alvejado com três tiros disparados por dois pistoleiros que aceitaram a terrível missão de liquidá-lo. A motivação do crime, segundo as investigações e o processo, seria o fato de Alexandre ter descoberto e ter revelado irregularidades praticadas, em tese, por outro juiz com a participação de policiais.
Nos dois casos aqui relatados o crime organizado se valeu de pistoleiros para praticarem o pior dos crimes, o homicídio. No caso de Maria Nilce, os criminosos queriam calar a imprensa, sob pena de terem suas identidades reveladas. No caso de Alexandre Martins, o próprio Judiciário foi atacado. Aqui, o crime organizado chegou ao extremo de assassinar um juiz de direito que apontara, possivelmente, um dos braços do crime organizado infiltrado nas entranhas do Estado.
O homicídio de Alexandre Martins revelou a ousadia e a penetração de organizações criminosas no Espírito Santo. Isso fez com que uma força-tarefa chamada Missão Especial fosse ordenada pelo ministro da Justiça. Instituições públicas e privadas e sociedade civil organizada se mobilizaram para virar a página do crime organizado da história do Espírito Santo.
No caso de Maria Nilce, a investigação precisou ser federalizada. Os responsáveis foram identificados e em sua maioria presos. Um deles, no entanto, apontado como um dos pistoleiros, permaneceu foragido até esta semana. No dia 28 de junho, 33 anos após o crime, o ex-PM Cesár Narciso de Souza foi localizado e preso pela Força-Tarefa de Segurança Pública, composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Guardas Civis de Vitória, Vila Velha e Serra.
Mais uma vez, portanto, a união e a cooperação entre instituições foram extremamente eficientes. A prisão de Narciso encerra uma história de covardia e impunidade que não pode, em hipótese alguma, ser tolerada. Que essas histórias sirvam de exemplo para que, cada dia mais, os gestores públicos deixem de lado as vaidades e passem a entender que o trabalho em equipe será sempre mais eficiente que o trabalho individual.