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Na França

Minha missão à frente da Diretoria de Controle da Interpol

Fica fácil perceber o tamanho do desafio. Se realizar um controle eficiente em um Estado ou em uma empresa já é uma tarefa hercúlea, imaginem em uma organização que conta com 196 países membros e com representação em cada um deles

Publicado em 01 de Fevereiro de 2025 às 02:00

Públicado em 

01 fev 2025 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

Como muitos já sabem, em dezembro do ano passado saí do meu querido Espírito Santo e me mudei para a bela cidade de Lyon, na França (local onde fica a sede da Interpol). Ainda em dezembro, iniciei minha missão na Organização Internacional de Polícia Criminal, mais conhecida como Interpol.
Durante as três primeiras semanas, me dediquei a conhecer a organização de forma mais aprofundada. Fiz inúmeros treinamentos, conheci profissionais e me adaptei às rotinas que são bastante diferentes das minhas experiências anteriores (na Polícia Federal ou mesmo fora dela, em cargos no Governo do Estado do Espírto Santo).
No dia 2 de janeiro, iniciei minha missão à frente do Office of Internal Oversight (OIO). Traduzindo livremente, podemos dizer que a Diretoria do OIO é responsável por realizar o controle interno da Interpol. Numa tradução ainda mais livre, para os capixabas que leem esta coluna e que conhecem a estrutura do governo do Estado, podemos dizer que o OIO é a Secont (Secretaria de Estado de Controle e Transparência) da Interpol.
Diretamente ligada ao secretário-geral, a Diretoria do OIO é responsável por, entre outras atribuições, realizar auditorias internas e gestão de riscos, conduzir investigações internas, cuidar da segurança da informação, fazer a gestão dos programas ESG (Enviromental, Social and Governance), conduzir os processos de due diligence e, principalmente, zelar pelos padrões de integridade e éticos da organização. Esta é, com toda certeza, uma das mais desafiadoras missões da minha vida.
Minha experiência à frente da Secont me fez ver como uma gestão eficiente pode e deve ser apoiada pelas estruturas de controle interno. Além de se evitar o desperdício, desvios de conduta e a má gestão, o controle interno eficiente tem a capacidade de, efetivamente, difundir e sedimentar a cultura da integridade, o que, sem dúvida, é a base de toda e qualquer organização bem-sucedida.
Fica fácil perceber o tamanho do desafio. Se realizar um controle eficiente em um Estado ou em uma empresa já é uma tarefa hercúlea, imaginem em uma organização que conta com 196 países membros e com representação em cada um deles. Felizmente, as pessoas que me antecederam fizeram um bom trabalho e minha principal tarefa agora é, juntamente com o time de profissionais que atuam sob minha liderança, manter o alto padrão da Interpol e, é claro, melhorar os pontos que podem e que precisam ser incrementados.
Em seu discurso de posse, o Secretário-Geral da Interpol enfatizou a importância de mantermos os mais altos padrões de integridade, transparência e segurança de dados. Essa, portanto, foi a missão a mim confiada! Na área de controle e compliance um jargão costuma ser muito utilizado: "tone from the top". Esse termo faz referência ao clima e à cultura de integridade de uma organização os quais, necessariamente, precisam ser definidos a partir do compromisso absoluto das lideranças.
Neste contexto, não tenho dúvidas de que o OIO, como área meio que é, contribuirá muito para construir uma Interpol cada vez mais forte e apta a garantir, todos os dias, um mundo mais seguro.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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