Na madrugada do dia 30 de setembro, um grupo de criminosos fortemente armados fechou as ruas da pacata cidade de Santa Leopoldina, atirou em viaturas policiais, rendeu pessoas inocentes e invadiu três agências bancárias. Esse tipo de ação criminosa é popularmente conhecido como “novo cangaço”.
No dia 24 de abril de 2021, portanto há um ano e meio, escrevi, nesta mesma coluna da Gazeta, o artigo “O novo cangaço é uma perigosa realidade que já bate à nossa porta”. Na ocasião, fiz a triste previsão (confirmada recentemente) de que em breve o Espírito Santo poderia ser alvo desse tipo de crime, caracterizado pela extraordinária violência e pela organização dos bandidos.
Naquela oportunidade alertei para o fato de que a grande disponibilidade de armas de grosso calibre nas mãos de bandidos tem afligido a vida dos capixabas e poderia ser um indicativo de que não estaríamos distantes de viver situação como a que ocorreu em Santa Leopoldina. Além disso, a ousadia dos criminosos (que têm atacado cidades mais populosas e com maior número de acessos rodoviários) poderia apontar para a possibilidade de que o ES também virasse alvo dessas quadrilhas.
Infelizmente, minha previsão acabou se concretizando e uma das cidades do Espírito Santo se viu, momentaneamente, completamente à mercê de criminosos (uma das mais graves consequências desse tipo de delito que, por algum período, consegue eliminar por completo a presença do Estado ao subjugar suas forças de segurança). A resposta dada pelas polícias, no entanto, foi impressionantemente rápida e efetiva.
Contando com o valioso apoio da Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar conseguiram identificar e prender, horas após o crime, quatro indivíduos que ajudaram na ação criminosa. Posteriormente, outros cinco bandidos foram baleados e mortos num confronto com as polícias. A rapidez da resposta dada pelas polícias capixabas merece todos os nossos aplausos e serve como exemplo para os demais Estados brasileiros.
Para que outros eventos como o de Santa Leopoldina não ocorram é preciso estarmos bem-preparados e, mais do que nunca, atuando conjuntamente contra o crime. É fundamental que tenhamos uma análise de risco de todas as cidades capixabas, de modo a compreendermos as fragilidades de cada um dos nossos municípios. De posse desse diagnóstico, teremos como adotar ações que diminuam nossas fraquezas e que desestimulem os criminosos a atuar em solo capixaba.
Buscando contribuir um pouco com essa temática, realizamos este mês, na Superintendência da PF, o Seminário “Do novo cangaço ao domínio de cidades”. O evento foi aberto aos integrantes das demais polícias e lotou nosso auditório com a presença de colegas de todas as forças policiais que atuam no Espírito Santo. A iniciativa foi do agente de Polícia Federal Hélio de Carvalho, profundo estudioso do tema e que, de forma brilhante, jogou luz sobre um assunto delicado e atual.
Seguiremos trabalhando muito para que o Espírito Santo nunca mais presencie um ataque como o de Santa Leopoldina. O trabalho preventivo é fundamental para isso! Caso ainda assim os criminosos resolvam tentar a sorte no Espírito Santo, é bom que saibam que encontrarão policiais comprometidos, que trabalham de forma unida e que farão de tudo para manter nossas cidades pacíficas e ordeiras.