Um homem de 72 anos foi o responsável por um massacre ocorrido num estúdio de dança na cidade de Monterrey Park, na Califórnia, no último sábado (21). O atirador deixou um rastro de sangue com 11 pessoas mortas e pelo menos outras dez feridas. Para alcançar seu intento, o assassino utilizou uma pistola semiautomática com uma extensão no carregador (o que é ilegal na Califórnia). No domingo, o autor dos atentados se matou com um tiro no estacionamento de um shopping. A motivação do criminoso ainda é um mistério para as autoridades.
Também na Califórnia, em Half Moon Bay, dois dias após o tiroteio em Monterrey, um homem de 67 anos abriu fogo indiscriminadamente, em dois locais distintos, deixando pelo menos sete mortos.
Ainda não terminamos o primeiro mês do ano de 2023 e se engana quem pensa que os casos narrados acima são fatos isolados nos EUA. Segundo o site Gun Violence Archive (GVA), que monitora os casos de violência com arma de fogo nos Estados Unidos, somente este ano já aconteceram 39 mass shootings (tiroteio em massa, em tradução livre). Ao todo 2,8 mil pessoas já foram mortas por tiros! Desse montante, 21 crianças entre 0 e 11 anos de idade foram assassinadas e outras 35 foram feridas. Outro dado que chama a atenção nessa epidemia de tiros e de mortes é o número de acidentes com armas de fogo. Foram 101 somente neste mês de janeiro.
O ano de 2022 não foi diferente. Foram 690 mass shootings, o que deixou um saldo de 45.098 mortos (não, você não leu errado! Mais de 45 mil pessoas foram mortas a tiros nos Estados Unidos em 2022). Ano passado os americanos viram 315 crianças morrerem e outras 750 ficarem feridas por armas de fogo.
Por mais que haja um caloroso debate e muitos defensores da possibilidade de que as pessoas possam ter e portar armas de fogo sem nenhum controle mais rígido, não há como dissociar os números observados nos Estados Unidos da imensa disponibilidade e praticamente nenhum controle sobre as armas naquele país. A conta é simples: mais armas e menos controle é igual a mais mortos e feridos por armas de fogo.
No Brasil, felizmente, estamos distantes da realidade americana. Aqui, os tiroteios em massa ainda são casos isolados, no entanto, ocorrências graves ocorridas nos últimos tempos têm preocupado as autoridades e já acenderam um alerta.
Os capixabas ainda se lembram, por exemplo, do atentado a tiros praticado por um indivíduo de 16 anos em duas escolas de Aracruz, em novembro do ano passado. A tragédia deixou quatro mortos e 12 feridos, e marcou, para sempre, os moradores daquela cidade.
Fácil perceber, portanto, que a grande disponibilidade de armas gera um maior número de mortes e de eventos como os narrados aqui. Cabe ao Estado, assim, elaborar políticas públicas que façam o Brasil trilhar um caminho diferente dos Estados Unidos no que tange à disponibilidade de armas de fogo. Atento a essa necessidade, o governo federal publicou no primeiro dia do ano o Decreto 11366/2023 que, entre outras medidas, restringiu o quantitativo de armas e munições passível de ser adquirido pelas pessoas.
Esse primeiro passo foi fundamental para que o Brasil não experimente, em sua política de controle de armas, o desastre que é a realidade norte-americana nesse quesito. Os Estados Unidos, maior potência do mundo, têm incontáveis qualidades. Temos infinitos exemplos que merecem ser replicados em nosso país. O descontrole de armas não é um deles. Felizmente, por aqui, já começamos a ajustar essa rota.