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Segurança pública

O que podemos aprender com a experiência americana no campo das drogas e das armas

A experiência de outros países, como os Estados Unidos, pode nos ensinar e servir de alerta para que o Brasil trilhe o caminho da paz e não o da guerra

Publicado em 26 de Novembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

26 nov 2022 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

Frase atribuída a Augusto Cury diz que a pessoa inteligente aprende com seus próprios erros, enquanto a pessoa sábia aprende com os erros dos outros. Essa mesma lógica pode ser adaptada e aplicada a inúmeros campos do conhecimento humano. Na área da segurança pública, por exemplo, é possível aprender com as experiências e erros alheios e, em algumas situações, evitar erros semelhantes (seja adotando condutas e políticas diferentes, seja preparando-se de forma adequada para as possíveis consequências vivenciadas em outros locais).
Tomemos como exemplo o que ocorreu nos Estados Unidos nas décadas de 80 e 90. O país viveu o que ficou conhecido como a “epidemia do crack”. A droga, que é derivada da cocaína, se espalhou por todos os estados americanos, produzindo uma multidão de dependentes químicos e gerando uma série de consequências nefastas à saúde e à segurança pública. Vinte anos depois, o que aconteceu nos Estados Unidos se repetiu no Brasil, de forma ainda mais intensa, haja vista as características da droga e dos dependentes químicos brasileiros (com menor poder aquisitivo e, portanto, mais suscetíveis aos efeitos do crack).
Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um gravíssimo problema relacionado ao uso indiscriminado de opioides (drogas derivadas do ópio). O jornalista americano Patrick Radden Keefe, no livro “O Império da Dor” (2021), aponta que os opioides são responsáveis por mais mortes que acidentes de trânsito e, até mesmo, que tiros nos Estados Unidos. Segundo o jornalista, os opioides são a principal causa de mortes acidentais no país. Por aqui, ainda lutamos e gastamos recursos e muita energia no combate ao crack, às cracolândias e às consequências no campo da saúde e da segurança. É importante, todavia, estarmos atentos aos sinais e preparados para lidar com o que pode ser (e certamente será) nosso próximo desafio na área das drogas, os opioides.
Dando continuidade ao raciocínio, é importante que estejamos atentos a um fenômeno cada vez mais frequente nos Estados Unidos. Somente este ano a ONG The Gun Violence Archive já contabilizou 601 mass shootings (tiroteios, em tradução livre). Para a referida ONG, tiroteios em que pelo menos 4 pessoas são feridas ou mortas por disparos de armas de fogo configuram mass shootings. No pior e mais sangrento evento ocorrido neste ano, 19 crianças e 2 professoras foram mortas numa escola infantil em Uvalde, Texas, no dia 24/05. O assassino utilizou um fuzil modelo AR-15, para eliminar suas vítimas.
Num dos últimos ataques registrados nos EUA, ocorrido no dia 20/11, em Colorado Springs, Colorado, 5 pessoas foram mortas e 25 foram feridas numa boate LGBTQIA+. Nesse último evento, o atirador também utilizou uma arma de guerra para assassinar e ferir os frequentadores da boate. Um fuzil do mesmo modelo utilizado na escola de Uvalde/TX (AR-15) foi empregado para atacar de forma indiscriminada os frequentadores do clube noturno.
O Brasil, felizmente, está muito longe das estatísticas que já registram, somente em 2022, mais de 600 tiroteios nos EUA. Precisamos, no entanto, de sabedoria para aprendermos com os erros dos outros e evitarmos que erros semelhantes ocorram por aqui.
No dia 05/10/2022, há pouco mais de um mês, um jovem de 15 anos atirou em 3 estudantes numa escola em Sobral, interior do Ceará. Uma das vítimas não resistiu aos ferimentos e morreu. A arma utilizada pertencia a um familiar que tinha o registro de CAC (sigla utilizada para definir colecionadores de armas de fogo, atiradores e caçadores). Aliás, atualmente, cada CAC pode possuir até 60 armas, incluindo armas de guerra, como fuzis. Além disso, podem também comprar até 180 mil munições por ano.
Não podemos permitir qualquer avanço nos índices de crimes letais intencionais em nosso país. A experiência de outros países, como os Estados Unidos, pode nos ensinar e servir de alerta para que o Brasil trilhe o caminho da paz e não o da guerra. É hora de usarmos a sabedoria para que não tenhamos que enfrentar, em muito pouco tempo, os terríveis desafios vivenciados hoje por nossos vizinhos norte-americanos.
*Este artigo foi escrito e enviado antes de duas escolas em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, serem atacadas por um atirador, deixando três mortos e 13 feridos.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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