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Efeito do coronavírus

A pandemia só evidenciou que a Educação brasileira está sem rumo

O risco número um é a defasagem de aprendizagem. O risco dois é a desigualdade. Porque tem escola que consegue fazer ensino remoto melhor, mas outra já é mais vulnerável. O terceiro risco é do abandono escolar. E o quarto são questões emocionais

Publicado em 06 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 jun 2020 às 05:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

evandro.milet@gmail.com

Sala de aula vazia
Sala de aula vazia: volta às aulas ainda é uma incógnita Crédito: Divulgação
À frente do Todos pela Educação – uma organização não governamental apoiada por gigantes como Itaú, Natura e Votorantim –, Priscila Cruz, com quase 20 anos dedicados ao setor no Brasil, deu entrevista para Cecília Ramos no "Estadão", em 1/6/2020, e que vai aqui reproduzida em alguns trechos pela importância do que foi tratado.
Priscila nunca se viu tão “angustiada”. “Me faltam palavras pra definir o que o Brasil presencia na Educação hoje”. Mesmo sem a ajuda do MEC, sublinha, e com a sociedade civil se “organizando sozinha”, ela acredita que a volta às aulas presenciais da rede pública no país se dará em agosto, “num cenário otimista”. E alerta que os Estados que não estiverem se planejando para isso já estão atrasados.
"A educação sozinha não vai dar conta, temos que ter um trabalho de união com a saúde, economia e assistência social"
Evandro Milet - Articulista
Com o ensino remoto estamos no meio de campo, mas a gente só marca gol na educação com a retomada das aulas presenciais. Está claro que o nível de engajamento de aulas remotas está baixo em todo o país, apesar de todos os esforços.
As escolas vão precisar adotar protocolo de saúde que consiste em diretrizes para as escolas saberem como vão se comunicar com as famílias; como dar apoio emocional ao aluno e ao professor? Qual será o protocolo de higiene? Alunos vão entrar com seus sapatos? Haverá pia perto das salas? Todos usarão máscara? Vai ter espaçamento entre as bancas?
Não há uma coordenação mínima do Ministério da Educação, não procuraram os secretários estaduais e a sociedade civil é quem está cumprindo o papel que é do MEC. Isso só aumenta o estresse tóxico que uma pandemia já causa.
Não vai dar para tocar um sinal na escola e dizer: "pessoal, vamos pra aula de matemática". A gente vai ter que passar semanas, talvez, acolhendo uns aos outros. Ouvindo as histórias de cada um.
O risco número um é a defasagem de aprendizagem. O risco dois é a desigualdade. Porque tem escola que consegue fazer ensino remoto melhor, mas outra já é mais vulnerável. O terceiro risco é do abandono escolar. E o quarto são questões emocionais não tratadas. Isso tem reflexo no desenvolvimento cognitivo. A educação sozinha não vai dar conta, temos que ter um trabalho de união com a saúde, economia e assistência social.
Quem se destaca nas duas frentes (quarentena e pós-pandemia), é Pernambuco, São Paulo e Maranhão.
Sobre o EAD (Ensino a Distância), há o fato de ter exposto as desigualdades sociais, num país em que 30% dos domicílios não têm internet, diz o IBGE. Aula remota nunca vai se equiparar à aula presencial. Uma grande parte dos alunos da escola pública está sem aula alguma justamente por não terem acesso à internet. Um dos legados da pandemia é que a tecnologia não substitui o presencial, mas complementa.
Weintraub e seu grupo não sabem o que é gestão pública, acham que é fazer show nas redes sociais. É constrangedor. Também é responsabilidade dos brasileiros que aplaudem essa gestão tão descolada da realidade, da ciência, da eficiência. As palavras absurdo, indecente e injusto não dão conta do que a gente presencia no Brasil. O Enem acabou adiado sob pressão, mas não há data. O novo Fundeb não foi aprovado ainda e postos cruciais para educação estão sendo entregues à política (o Centrão) por Bolsonaro.
É desesperador. Os alunos e educadores não merecem isso. O Enem virou uma questão política do presidente contra governadores. O Fundeb, com a Covid-19, perdeu posições na pauta da Câmara, mas temos boa interlocução com Rodrigo Maia. Já o MEC não participou e o pouco que fez foi decepcionante. Nossa esperança é a própria articulação da sociedade civil.
"Estudos no mundo mostram que países que colocaram a educação como prioridade para se recuperar de pandemia, tragédias e guerras saíram mais fortes ou mais rápido da crise"
Evandro Milet - Articulista
Quais foram os melhores ministros da Educação? Paulo Renato (governo FHC), que foi o "pai do MEC", Fernando Haddad (governos Lula e Dilma) e Mendonça Filho (governo Temer). Observe que são três ministros de orientações políticas diferentes. PSDB, PT e DEM. O que os une? O trabalho técnico, a preocupação com resultados.
Os estudos no mundo mostram que países que colocaram a educação como prioridade para se recuperar de pandemia, tragédias e guerras saíram mais fortes ou mais rápido da crise.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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