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Economia

Como seria uma política industrial para o Espírito Santo?

O Estado pode ter a estratégia de criar mecanismos para viabilizar negócios que tenham capacidade de gerar os empregos que evitem a fuga de cérebros para outros estados ou outros países, como tem ocorrido na área de TI

Publicado em 01 de Outubro de 2022 às 00:02

Públicado em 

01 out 2022 às 00:02
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

evandro.milet@gmail.com

As discussões sobre política industrial no âmbito nacional passam por duas visões que se contrapõem. Uma que preconiza concentração nas ações horizontais que melhorem o ambiente de negócios e evite que o Estado escolha direções, deixando totalmente com a iniciativa privada o rumo a seguir, e outro lado que entende que o Estado deve incentivar caminhos estratégicos com subsídios e incentivos.
Como os estados podem participar, mas não têm poder para dirigir a discussão nacional, cabe pensar no que seria uma política industrial para o Espírito Santo, considerando o início de um novo período de governo em 2023.
O Estado pode ter a estratégia de criar mecanismos para viabilizar negócios que tenham capacidade de gerar os empregos que evitem a fuga de cérebros para outros estados ou outros países, como tem ocorrido na área de TI. Pode também identificar tendências tecnológicas ou sociais que sinalizem oportunidades pioneiras para novas indústrias, antes que outros estados mais poderosos em política, tecnologia ou infraestrutura se movimentem.
Na área empresarial dizemos que podemos viver do passado, sobreviver no presente, antecipar o futuro ou, como melhor alternativa, criar o futuro. Os países não têm um destino imutável e temos muitos exemplos de quem criou um caminho novo, como aconteceu com Israel, Singapura e quase todo o Leste asiático.
O papel do fundo soberano aqui no Estado pode ser mais bem entendido não como um depósito de dinheiro para usar no futuro, como acontece na Noruega e outros países ricos, mas como um dinheiro para ser usado agora em projetos que criem o futuro que imaginamos. O Funses para startups é um bom início embora, como é natural em fundos de venture capital, vai se procurar projetos escaláveis, com o mérito de gerar novos recursos para o fundo ao longo do tempo, isto é, uma fábrica de dinheiro para ser investido também nos próximos anos.
Outros projetos importantes, mas que eventualmente não tenham a escalabilidade, isto é, o potencial de crescer muito rápido como acontece no mundo digital, devem também ser considerados, com base em tendências que podem ser observadas desde já.
As áreas de energias limpas, solar, eólica, hidrogênio (eletrolisadores) e amônia, como itens fundamentais da descarbonização, aparecem logo como alternativas nos seus aspectos industriais. O complexo industrial da saúde também. O novo marco do saneamento vai demandar grande quantidade de equipamentos com a grande expansão das redes, como já acontece com as PPPs Cesan/Aegea em Cariacica, Serra e Vila Velha.
Hardware para automação, telecomunicações e uso generalizado no mercado digital também. A preparação de uma infraestrutura digital cobrindo todo o Estado seria um bom atrativo para novas indústrias. As rotas estratégicas elaboradas em trabalhos da Findes podem ser grandes sinalizadores de caminhos, da mesma forma que as iniciativas de expansão das grandes empresas e os projetos de infraestrutura em estradas, ferrovias e portos.
E, se há reclamações de que o dinheiro do fundo soberano deveria ser usado para as carências sociais de hoje, por que não um projeto ousado de digitalização das escolas, desenvolvimento na concepção STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e montagem de laboratórios de robotização e maker, que trouxessem para o estado como contrapartida, as fábricas dos fornecedores?
O uso do fundo soberano simplesmente na educação formal, apesar de toda a carência, sem atrair ou gerar as indústrias do futuro, geraria pessoas capacitadas para trabalhar em outros estados onde existissem os empregos. Enfim, há espaço para uma discussão da política industrial do Estado sem escolher vencedores, mas criando um novo futuro para o Espírito Santo com tecnologia e inovação.

* Em tempo: encerro aqui um ciclo de vinte anos escrevendo artigos em A Gazeta, inicialmente de modo esporádico, depois quinzenal e, há oito anos, semanalmente, assim como dez anos fazendo o CBN/Inovação. Agradeço a toda a equipe e à direção de A Gazeta pela oportunidade. Um novo projeto traz novos desafios que me incentivam a continuar a contribuir para o desenvolvimento do Espírito Santo.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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