É consenso que a pandemia acelerou o processo de digitalização da economia em vários anos. As ferramentas de reunião se popularizaram, assim como o e-commerce, que dobrou de 5% para 10% sua participação no varejo. Estudantes, nativos digitais, aturaram a baixa familiaridade dos professores com o ensino a distância, mas a coisa andou e o ano letivo aconteceu aos trancos e barrancos para o ensino médio e superior, enquanto os pequenininhos (e os pais) sofriam as dificuldades do virtual. As empresas aprenderam a gerenciar o home office, e muitas delas decidiram manter grande parte dos empregados em casa para sempre. Consequência: empresas contratando gente em qualquer cidade - ou país.
Até o governo contribuiu com esse tsunami digital fornecendo o app baixado 30 milhões de vezes para receber o coronavoucher e apresentando o PIX. Quem ainda não tinha entrado no mundo digital entrou agora, e é ali que vão se dar as disputas por mercado. Mas aí acontecem os enganos, alguns fatais. Fazer sites ou informatizar processos é coisa do século passado. A transformação digital é muito mais abrangente e profunda. Uma aula virtual não pode ser a transposição de uma aula presencial, um jornal na rede deve ser algo diferente, uma loja que tente fazer exatamente o que faz a loja física está morta.
Uma grande diferença do digital na rede é que tudo é interativo e rápido. As ferramentas disponíveis permitem fazer coisas impossíveis anteriormente: comunicação bidirecional instantânea, armazenamento a custo tendendo a zero na nuvem, capacidade de processamento e acesso à informação tendendo para o infinito e no bolso, inteligência artificial, automação robótica de processos(RPA) e dados e mais dados de clientes que se entregam diariamente nas redes sociais.
As empresas têm que disputar a atenção - cada vez mais difícil - dos clientes onde eles estiverem (e eles estão nas mídias sociais, cada uma delas com sua dinâmica e seus algoritmos misteriosos) e os algoritmos do marketing digital permitem a abordagem individualizada.
A transformação digital abriu tantas oportunidades, que existem startups para tudo e um apagão de profissionais de TI, o que acaba reduzindo as exigências de contratação e fomentando novas tecnologias de desenvolvimento sem programação (no-code). As mudanças são rápidas e não param.