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Governança

Putin invade a Ucrânia e atinge também a ESG

Principalmente nos países mais desenvolvidos, as pessoas adotaram a ideia que as empresas devem fazer negócios de maneira ética, justa e com alto padrão de valores. E entenderam que se elas permanecessem na Rússia estariam ferindo esses princípios

Publicado em 09 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

09 abr 2022 às 02:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

evandro.milet@gmail.com

Não está escrito em nenhum manual de conceito ESG (Ambiental, Social, Governança) que empresas devem se retirar de um país agressor. Por que então essa debandada rápida de inúmeras multinacionais da Rússia, que ninguém previu?
Não foram governos que exigiram, foram os consumidores e os investidores dessas empresas. No mundo inteiro, principalmente nos países mais desenvolvidos e democráticos, as pessoas adotaram a ideia que as empresas devem fazer negócios de maneira ética, justa e com alto padrão de valores. E as pessoas entenderam que se as empresas permanecessem na Rússia estariam ferindo esses princípios e assim também entenderam seus CEOs ou os conselhos de administração, por vontade natural ou por precaução de não serem canceladas pelos clientes e investidores.
Mas se as empresas devem ter responsabilidade com seus clientes, colaboradores, fornecedores e comunidades vizinhas, como ficam esses mesmos stakeholders da Rússia? Toda a diversidade demitida, comunidades sem programas sociais e fornecedores falidos, o lado S(social) da ESG, como fica? Já pensou se o Brasil atacasse um vizinho e McDonald 's, Shell, indústria automobilística, Zara, Apple, Google, Amazon, WhatsApp, Samsung etc. saíssem repentinamente do país?
E o lado E (ambiental) da ESG? Os países vão certamente aumentar a produção de armas e ampliar seu sistema de defesa. Isso contribui para ESG? Alguns países sem gás da Rússia voltarão a usar carvão? Mas a segurança energética também não é ESG? Pode ser a única maneira de sobreviver. De qualquer forma, a preocupação com os critérios ambientais tem que ser sincera e entranhada nas atitudes das empresas e colaboradores e cobrado da cadeia de fornecedores. “Greenwashing”, ou fazer de conta que a empresa pratica esses critérios logo logo transparece.
Essas discussões reforçam a importância do lado G (governança) do ESG. A gestão de riscos e crises deve prever as possibilidades e ter ações mitigadoras previstas. Tudo bem que é difícil prever um cisne negro, por definição. Embora uma invasão da Ucrânia fosse previsível, a decisão de saída repentina de empresas foi um cisne negro - imprevisível e com consequências drásticas.
Para enfrentar situações inusitadas, é fundamental que a transparência seja uma prática e que os valores da empresa sejam entendidos, disseminados e praticados por todos, porque as grandes crises acontecem de surpresa mesmo. Na velocidade em que as coisas acontecem hoje, muitas vezes um colaborador ou um gestor de nível hierárquico abaixo do CEO deve tomar uma atitude sem tempo de consultar superiores, porque uma situação negativa foi filmada em um celular, postada nas redes sociais e vista por milhares de pessoas antes que o fato chegasse ao conhecimento da alta administração. A mínima demora para tomar uma atitude pode ser desastrosa e não dá tempo de convocar conselhos ou formar consensos.
Por transparência entende-se que mais do que a “obrigação de informar”, a administração deve cultivar o “desejo de informar” não apenas sobre o desempenho econômico-financeiro, mas também sobre todos os fatores que norteiam a ação empresarial.
O conceito ESG se espalhou pelo mundo corporativo, para investidores e consumidores. Os lados E e S são a base, mas o G é que pode garantir que o ESG funcione.
Uma guerra pode causar uma adaptação circunstancial, situações novas ocorrem, porém a direção ESG é inexorável.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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