O avanço de governos protecionistas e nacionalistas pelo mundo vem lançando algumas dúvidas sobre o futuro do mundo e, nesse contexto, o futuro da globalização. Um processo de integração entre os governos e nações, envolvendo diretamente empresas e pessoas. Processo esse que foi impulsionado pela troca de mercadorias, impulsionando o comércio e os investimentos internacionais e com forte colaboração da tecnologia. O termo “globalização” é utilizado há muitas décadas e é um assunto praticamente pacificado entre os povos e afeta diretamente vários segmentos da sociedade, como a política, a economia, a cultura e as ciências sociais.
Recentemente, com o endurecimento das políticas migratórias de vários países, migrações provocadas pelas guerras e pelas disputas geopolíticas mundiais, milhares de pessoas têm se deslocado pelo mundo, sem casa, com fome e muitas vezes doentes, e a globalização foi colocada na berlinda: ela existe, mas é boa ou ruim?
No campo mercadológico, marcas regionais viraram nacionais e as nacionais se tornaram globais. Abriram mercados em praticamente todas as partes do mundo. Muitas unificaram sua comunicação, desconsideram as linguagens locais e impõem um conceito global, em especial as americanas, europeias, japonesas e, por último, as chinesas. A rede Alibaba é um exemplo disso. Outro ponto que merece destaque é a perda sensível de credibilidade dos blocos econômicos: a Zona do Euro, do Brexit na Inglaterra (com ou sem acordo) e o nosso Mercosul, com suas idas e vindas a mercê dos governantes do momento.
O tema desglobalização não é novo, mas chegou de vez: será que a economia globalizada é capaz de retornar ao ponto de equilíbrio da economia mundial? O professor Menzie Chinn, da University of Wisconsin, nos EUA, é o criador desse termo desglobalização. Segundo ele, “seria consequência não de uma derrota ideológica, mas da disparada generalizada dos custos. Assim, as multinacionais ao realocarem suas fábricas, trazem-nas novamente para perto dos centros consumidores”. Esse fenômeno implicaria em fortes consequências para as regiões emergentes, como o desemprego, a fragilidade dos governantes na busca por soluções, na insatisfação popular e no surgimento de políticos populistas.
É importante frisar que esta tendência pode não se confirmar, mas pegando carona nos avanços da tecnologia, mercados como o nosso ficam extremamente ameaçados.