Duas semanas após o falecimento de Dona Maria Alice Lindenberg, quero deixar registrada e rendo aqui minha homenagem à pessoa e à profissional da comunicação capixaba. Muito já foi dito sobre D. Maria Alice. Entretanto, tive uma convivência privilegiada com ela. Nos conhecemos na Ufes. Estamos falando de 1982. Eu tinha 22 anos e era aluno do recém-criado curso de Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda.
Na época, Maria Alice, sempre em companhia da Terezinha Calixte, fazia o curso de jornalismo e chegamos a cursar algumas matérias juntos, o básico das duas habilitações durava dois anos, nos conhecíamos apenas protocolarmente. Tendo mais idade do que o pessoal da turma, havia um certo afastamento entre os estudantes e D. Maria Alice. O que a mulher do dono da Rede Gazeta está fazendo aqui? Era a pergunta que fazíamos.
O tempo passou, abri minha primeira agência de publicidade em 1985, a Direta Propaganda, logo na sequência, em 1989, voltei para a Ufes, então como professor. De lá para cá se passaram 35 anos. Mantivemos um convívio discreto e respeitoso. No início, eu já como professor da Ufes e D. Maria Alice passamos a conviver mais, principalmente por conta dos estagiários da Rede Gazeta.
Na época passei a ser coordenador de estágios do curso de Comunicação, num cenário em que os estágios em jornalismo eram proibidos e ela foi uma das precursoras em entender e defender a importância da capacitação e treinamento dos estudantes e futuros publicitários.
Em 1986, fundamos a Associação Capixaba dos Profissionais da Propaganda, hoje Sinapro-ES, e quem estava lá para nos apoiar: Maria Alice. A realização dos primeiros Prêmios Colibri deve-se muito a ela. Incentivadora do mercado, percebia como poucos, sem interesse comercial, a importância do fomento de uma atividade profissional, como peça fundamental para o seu desenvolvimento.
Poucos sabem, mas ela foi a primeira e única mulher jurada do primeiro Prêmio Colibri, realizado na própria Rede Gazeta, em 1986. Ela dizia que o projetor da Rede Gazeta só saia do auditório para projetar as peças premiadas do Colibri.
Tempos depois me tornei presidente do Sinapro-ES e, como líder sindical patronal, encontrei nela a parceira para a realização do Prêmio Colibri. Por muitos anos, através de Maria Alice, a Rede Gazeta apoiou com campanhas de incentivo a atividade das agências de publicidade do Estado. Mesmo depois, quando a Letícia Lindenberg assumiu boa parte de suas funções, ainda nos víamos na Rede Gazeta.
Sempre educada, simples e de voz branda, era a cara institucional da Rede Gazeta. O tempo passou e, em um dos nossos últimos encontros, falamos de quando ela e Cariê tinham se mudado para a Praia do Canto, quando o bairro não era nada e da saudade que tinha daqueles tempos. Com todas as suas virtudes, nos deixa como principal legado a sua humanidade.