A vacina para prevenir a Covid-19 nem chegou ao mercado, mas Portugal já definiu os critérios para sua utilização junto à população portuguesa. O governo português anunciou a compra de 6,9 milhões de doses da vacina, coordenada pela União Europeia numa aquisição conjunta dos países membros da UE.
O primeiro ministro António Costa garantiu que o Conselho de Ministros aprovou um investimento de 20 milhões de euros para a compra desse primeiro lote. “Confiamos, naturalmente, que as autoridades competentes, a Direção Geral de Saúde, definam os critérios que devem obedecer a vacinação progressiva, universal e gratuita da população portuguesa para assegurar esta imunização”.
O primeiro ministro afirmou também que a União Europeia selecionou seis das várias vacinas contra a Covid-19, todas em desenvolvimento no mercado mundial, para fazer este investimento. Entretanto, o primeiro lote só chegaria para um terço dos portugueses, já que a vacina é administrada em duas doses, esclarece o Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.
Quanto à data da chegada das vacinas, isso ninguém sabe dizer ao certo, uma vez que as experiências mais avançadas estão na fase três de testes e, se os resultados forem positivos, ainda há a fase da produção em larga escala. Segundo o primeiro ministro: “Os otimistas acreditam que no final deste ano haverá os primeiros lotes. Os realistas têm de acreditar que os otimistas têm razão, mas temos de nos preparar para que assim possa não ser”.
Embora Portugal tenha demonstrado uma diminuição nos números de novos contágios e um controle mais efetivo nos locais em que surgem novos focos de contaminação - eles continuam ocorrendo, ainda que nesses últimos dias, de forma isolada e bem discreta pelo país. Mas com o fim do verão e com a vinda de muitos turistas estrangeiros, principalmente depois da liberação da quarentena obrigatória imposta aos britânicos em visita a Portugal, a volta às aulas e o aumento de casos nos países vizinhos como Espanha, Itália e França, o governo decretou estado de contingência a partir de 15 setembro como forma de controle, mas a vacina é vista como a verdadeira forma de controle da fase atual da doença, além de conter uma possível segunda onda.
É importante lembrar que Portugal tem uma população de aproximadamente 10 milhões de habitantes, sendo que uma parte significativa dela está envelhecendo rapidamente - são mais de 3 milhões de pessoas acima dos 65 anos -, o que pode se tornar um problema na universalização da vacinação. Até haver a imunização geral da população, Portugal parece ter aprendido a lição: enquanto não houver a vacina, não haverá solução definitiva.