Em meio ao início das atividades comerciais em Portugal, na semana passada, o ritmo deixa claro que a retomada econômica será lenta e gradual. Como os portugueses costumam dizer, a retomada “será faseada” e no andamento em que as medidas restritivas de abertura de empresas e circulação de pessoas forem se alargando, ficará bem mais claro qual o tamanho real do problema e a velocidade da retomada econômica.
Então o grande desafio do governo português será de colocar a economia de pé, sem criar uma dependência dos subsídios oficiais oferecidos, tanto das empresas, bem como dos colaboradores, para, assim, funcionar a economia com a mínima dependência das verbas governamentais.
A pandemia do novo coronavírus já está na fase do “planalto”, fazendo o governo estabelecer três etapas para a liberação das atividades: a partir do dia 18 de maio, retomam os restaurantes, o comércio de rua com 200 metros quadrados, escolas e universidades (em horários distintos), creches, igrejas, museus, espaços públicos, e academias. E, a partir de 1º de junho, abrem as lojas com mais de 400 metros quadrados, jogos de futebol sem público e shoppings. Continuam proibidos eventos e festivais de músicas até 30 de setembro.
Apesar disso, o governo tem dúvidas na retomada dessas atividades, visto que ocasionaria uma circulação de um grande contingente de pessoas na rua. Assim, as autoridades não descartam mudar ou retroceder algumas dessas medidas caso alguma coisa não saia dentro do previsto.
Com a retração da atividade comercial e do grande número de desempregados, o governo teme por uma estagnação econômica. Só para efeitos comparativos, Portugal conta com mais de um milhão de empregados nos sistemas de layoff para uma população de 10 milhões de habitantes. Ou seja, mais de 10% da população portuguesa corre algum risco de desemprego quando os incentivos do governo acabarem. A previsão dos economistas é de uma retração do PIB português seja superior a 6,5%.
Portugal está diante de enfrentar de vez a desconfiança do mercado com a queda dos investimentos, do consumo e do endividamento do Estado. Essa retração pode levar ao grande temor dos portugueses vivido em 2012 e de verem de volta a recente e temida recessão.