Associativo x SAF: previsão que pouco ou nada mude no futebol do Vasco
Imbróglio
Associativo x SAF: previsão que pouco ou nada mude no futebol do Vasco
Empresa americana foi afastada do comando do futebol cruz-maltino por liminar na Justiça, e clima de incertezas ronda São Januário. Entenda
Publicado em 16 de Maio de 2024 às 20:17
Públicado em
16 mai 2024 às 20:17
Colunista
Filipe Souza
fsouza@redegazeta.com.br
São Januário é a casa do Vasco e refúgio do futebol do clube, que aparentemente não tem comandoCrédito: Leandro Amorim/Vasco
Seja no modelo de clube associativo ou na Sociedade Anônima do Futebol (SAF), os bastidores políticos do Vasco fervem e exercem uma influência muito forte no futebol cruz-maltino. Na noite da última quarta-feira (15), a 4ª vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a retirada do controle da SAF da 777 Partners. Com isso, o controle do futebol volta para a Associação, presidida por Pedrinho.
Entretanto, os motivos são muito frágeis. Em resumo, a 777 foi acusada de ter uma má gestão. Porém, até a defesa do Vasco assumiu oficialmente que a empresa americana cumpriu todas as suas obrigações. Outro ponto determinante destacado pela Justiça são os problemas financeiros da 777 e a acusação por fraude nos Estados Unidos.
O curioso é que mesmo com essa movimentação na Justiça, Pedrinho, responsável pelo clube associativo, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (16) revelou que pouca coisa muda com isso. "O futebol não volta para o associativo, permanece e permanecerá com a SAF. A SAF continuará para sempre. Todo planejamento esportivo e financeiro continua com a SAF", afirmou o mandatário, que também disse atuar em proteção ao Vasco.
"A ação é exclusivamente de proteção à Vasco SAF, para não acontecer o que aconteceu hoje com o clube belga (Standard Liège - que foi colocado à venda), é para proteger as ações da SAF. Para que o Vasco não fosse prejudicado com um bloqueio e entrasse em colapso financeiro. Eu sou vascaíno e todas as ações são para proteger o torcedor. A ação é jurídica, não tem intuito esportivo".
A preocupação é até válida pela situação da 777 nos Estados Unidos, mas a atuação no Vasco até aqui condiz com o prometido. Todos os aportes financeiros foram cumpridos. Não há como não fazer uma relação entrem o mau relacionamento de Pedrinho com a 777 desde que o ex-jogador assumiu o comando associativo do Vasco. E ainda a aproximação do mandatário com a Crefisa, uma das empresas que tem manifestado interesse no clube e que não seria um absurdo caminhar em relação a uma intenção de compra da SAF do Vasco.
Aberração Jurídica
Josh Wander, dono da 777 PartnersCrédito: Daniel Ramalho / Vasco
Na noite desta quinta-feira (16), a 777 Partners emitiu nota oficial em repúdio à decisão da Justiça em retirar a empresa do controle da SAF e classificou o episódio como uma aberração jurídica. Por isso irá proceder com a tentativa de derrubar a liminar. Ou seja, essa história continuará com alguns capítulos. Confira parte da nota da 777.
"A 777 Partners recebeu com surpresa e indignação, por meio dos veículos de comunicação, a decisão, em caráter provisório, de afastar a empresa do comando do Vasco SAF.
A liminar, proferida durante a noite em um caso no qual não tivemos acesso aos autos para responder legitimamente, é uma aberração jurídica e coloca em xeque não apenas o futuro do Vasco da Gama, mas o sistema do futebol brasileiro como um todo. Somos investidores internacionais, confiamos no Brasil e na Lei da SAF, projeto criado para permitir a recuperação de grandes clubes por meio de injeção de capital e gestão profissional.
Desde a aquisição de 70% das ações da Vasco SAF, não deixamos de cumprir uma única cláusula contratual com o CRVG, injetamos mais de R$310 milhões no caixa, aporte essencial para iniciar um projeto de reconstrução do clube. Formamos um novo Vasco, onde os salários de atletas e funcionários são pagos em dia, credores são respeitados e dívidas são quitadas, fatos raros no futebol brasileiro.
O trabalho de reconstrução é agora suspenso por uma decisão monocrática, sem nenhum embasamento legal e motivada pelos desejos egoístas da nova administração. O episódio, ainda que em caráter liminar, certamente trará efeitos negativos para o time de futebol."
Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.