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Vôlei

Referência dentro e fora da quadra, Fernanda Garay viveu um ano especial

Em quadra medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e prêmios individuais, fora dela, referência para mulheres negras e combate ao racismo

Publicado em 31 de Dezembro de 2021 às 04:00

Públicado em 

31 dez 2021 às 04:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

fsouza@redegazeta.com.br

Fernanda Garay foi uma das jogadoras que mais se destacou nas Olimpíadas de Tóquio
Fernanda Garay foi uma das jogadoras que mais se destacou nas Olimpíadas de Tóquio Crédito: FIVB/Divulgação
 “Não é uma aposentadoria. É uma pausa na minha carreira. A próxima decisão fica para logo mais”, me contou a ponteira da seleção brasileira feminina de vôlei Fernanda Garay no dia 07 de dezembro, em Aracaju-SE, no dia da festa do Prêmio Brasil Olímpico, uma noite de gala do esporte brasileiro.
E nesta sexta-feira, 31 de dezembro de 2021, última dia do ano e véspera do ainda desconhecido 2022 acredito que o sentimento geral é esse não é mesmo: vamos deixar a próxima decisão para logo mais. Ainda dá tempo de olhar para trás e perceber que mais um ano desafiador se passou, e que aos trancos e barrancos chegamos ao fim. Como sempre um misto de lutas, que resultaram em vitórias, derrotas e muito aprendizado. E claro, fica agora aquela dose de motivação para fazer o futuro diferente.
E o que estar por vir para Garay também é uma incógnita. A atleta que brilhou em 2021 ao ajudar o Brasil a conquistar a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio e ganhou dois prêmios individuais na temporada (melhor atleta do vôlei brasileiro e atleta da torcida) se permite agora uma parada para pensar o futuro. Aos 35 anos, o desejo de ser mãe fala muito alto, assim como o desejo de estar nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, se não como jogadora, quem sabe ajudando nos bastidores, um lugar na comissão técnica, tudo ainda a ser pensado. Por enquanto, a certeza de poder celebrar o ano de sucesso.
“O retorno às atividades e a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio foi muito importante. Foi muito gratificante ter a oportunidade de estar lá, de viver aquilo e de representar o Brasil. A medalha de prata foi realmente um presente. Uma coroação para todo o trabalho e toda a dedicação depois de um período tão difícil. Os prêmios individuais tem um sabor especial, principalmente o atleta da torcida. |Ver as pessoas comprometidas e votando em mim com tanto carinho e com tanto amor já é um troféu. Mostra que estive no caminho certo e fiz boas escolhas”, declarou Fernanda sem esquecer das dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19
“O ano de 2021 teve um significado muito diferente. A gente viveu tempos difíceis. Tempo de ficar em casa, de se proteger, de cuidar da gente, de cuidar do outro e de não poder praticar o esporte, o que significava não poder também trabalhar. Eu tive um ano muito bom e o esporte brasileiro também. Foi muito legal perceber lá em Tóquio que as pessoas que estiveram lá se entregaram, passaram por todas essas dificuldades da pandemia e ainda assim representaram o Brasil da melhor maneira possível”.
Fernanda Garay comemorou duas vezes no Prêmio Brasil Olímpico: melhor atleta de vôlei e atleta da torcida
Fernanda Garay comemorou duas vezes no Prêmio Brasil Olímpico: melhor atleta de vôlei e atleta da torcida Crédito: Jonne Roriz/COB

COMBATE AO RACISMO E REFERÊNCIA PARA MULHERES NEGRAS

A força e a garra de Fê Garay, suas marcas registradas nas quadras entram em cena também quando ela não está com a bola nas mãos, mas para abordar o combate ao racismo. No mês de novembro, no Dia da Consciência Negra, a atleta se posicionou nas redes sociais e levantou a importância de lutar contra a discriminação racial.
“Nesse dia da consciência Negra enquanto queremos discutir o racismo que está estruturado dentro de nossa sociedade e as maneiras de combatê-lo, nos chocamos ao nos deparar com o racismo explícito sendo praticado contra crianças e atletas, e que os tribunais esportivos relativizam e perdem a oportunidade de mostrar que esses atos "isolados" devem ser punidos com rigor. É frustrante de uma certa maneira, mas por outro lado me motiva a cada vez mais usar minha voz para fazer o debate, aprender com aqueles que chegaram antes de mim e criar pontes de diálogo para que a mensagem do antiracismo alcance o maior número de pessoas”, publicou.
Ao comentar sobre o tema, Fernanda afirmou que entende o lugar em que está, se vê como referência para outras mulheres negras. “Isso foi uma coisa que ao longo do processo eu fui entendendo de uma forma melhor. Sinto-me realmente muito feliz por entender esse lugar (referência para mulheres negras). Entender que eu posso sim para muitas pessoas ser referência. Orgulha-me muito e me traz alegria as escolhas que eu fiz, que me permitiram estar nesse lugar hoje.”  
Fernanda Garay é daquelas atletas necessárias tanto dentro quanto fora da quadra. Estaremos de perto acompanhando as decisões que serão tomadas "logo mais" e o que virá pelo futuro, que certamente será um sucesso.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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