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Violência

A ninguém deveria ser permitido colecionar armas e caçar por esporte ou lazer

Uma das principais formas de combater as guerras é destruir as armas ou impedi-las de existir e de circular. Ninguém precisa de arma para se defender

Publicado em 31 de Julho de 2023 às 00:10

Públicado em 

31 jul 2023 às 00:10
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

Duas armas apreendidas pela PF no ES
Duas armas apreendidas pela PF no ES Crédito: Reprodução | Polícia Federal
É de todos conhecido o provérbio latino “se vis pacem, para bellum”, de origem romana, que pode ser traduzido como “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Essa ideologia bélica, de fortalecer uma sociedade pela força das armas, é uma herança do Império Romano, que contamina o mundo até hoje.
O ‘para bellum’ latino passou a ser sinônimo de arma de fogo, desde que um fabricante alemão (DWM) passou a designar sua pistola de “parabellum”. Em português, a palavra foi aportuguesada para parabelo como se revela na música “Perseguição”, composta pelo genial cineasta Glauber Rocha e o rebelde compositor Sérgio Ricardo, para o filme “Deus e o Diabo na terra do sol” (1964): “Se entrega, Corisco. Eu não me entrego não. Eu não sou passarinho pra viver lá na prisão. Eu me entrego só na morte de parabelo na mão”. Nessa época, o tema do cangaço servia de inspiração aos artistas para conclamar a resistência à ditadura militar e à opressão.
O movimento pacifista, no qual me incluo desde a juventude, se fortalece em oposição a essa cultura belicista. Winston Churchill, o líder britânico de resistência ao nazifascismo, ao vivenciar a destruição de grande parte da Europa, após as duas grandes guerras, disse: “A guerra é uma invenção do ser humano. E o ser humano pode também inventar a paz”.
Uma das principais formas de combater as guerras é destruir as armas ou impedi-las de existir e de circular. Ninguém precisa de arma para se defender. Estamos presenciando o estrago provocado pela venda e uso indiscriminado de armas, após o fatídico governo passado e, tomara, enterrado, ter incentivado o uso e o porte de armas pela população.
A maioria das armas liberadas chegou às mãos do crime organizado ou de assassinos feminicidas, de intolerantes contra os LGBTQIA+, de todo tipo de psicótico antissocial e odiento. Nenhum cristão pode ir a cultos ou a missas armado, a Bíblia não combina com discurso de ódio nem Cristo pregou “Armai-vos uns aos outros”.
Por outro lado, não se pode queimar objetos sagrados de cultos religiosos, como alguns escandinavos estão fazendo com o Alcorão. É preciso respeito às diversidades de crença, credo, culto, se não quisermos perpetuar as eternas guerras entre crenças e religiões que sempre existiram na humanidade.
Li, recentemente, “As últimas testemunhas”, da escritora bielorussa Svetlana Aleksiévitich, Nobel de Literatura em 2015. Trata-se de pequenos relatos de crianças sobreviventes da Segunda Grande Guerra. Creio que nunca li algo tão doloroso. Ninguém que leia esse livro pode ficar insensível aos horrores das guerras.
Também assisti ao recente “Oppenheimer”, do diretor Christopher Nolan, sobre a atuação do físico J. Robert Oppenheimer e de sua equipe no desenvolvimento da bomba atômica e nos efeitos provocados após o seu lançamento no Japão pelos norte-americanos. Aterrorizado, o cientista viu o quanto a ciência pode ser usada para o mal, nas mãos dos “senhores da guerra”.
Estamos vivendo uma situação pré-apocalíptica, quando loucos como Putin, Al-Assad, Biden, Trump, Lukashenko e tantos outros têm em seu poder armas capazes de destruir o mundo. A guerra entre Rússia e Ucrânia pode se prolongar indefinidamente, como já ocorre na Síria, no Iêmen, no Sudão, na Somália, em Myanmar, enquanto houver fabricantes de armas cada vez mais letais e destruidoras. O mundo não precisa de exércitos e de armas cada vez mais poderosos.
Todo conflito entre nações e povos pode e deve ser resolvido por vias diplomáticas. A venda de armas pela internet deve ser expressamente proibida bem como a existência dos tais CACs - Colecionadores, Atiradores e Caçadores. A ninguém deveria ser permitido colecionar armas e caçar por esporte ou lazer. E atiradores competitivos ou profissionais só poderiam usar armas em clubes de tiro, nunca as ter em sua casa. Se quisermos a paz, eliminemos o “para bellum” ou não teremos mais o Planeta Terra por muito tempo.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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