Estamos na reta final do ano, ano fatídico, doloroso, em que muitos morreram de Covid, de feminicídio, de assalto, de todo tipo de violência que assola o nosso país. É a semana que precede o Natal, data maior da cristandade, em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, nascido numa humilde estrebaria na gruta de Belém, na Palestina, vindo à Terra para pregar o Bem, a Paz e a Fraternidade. “Paz na terra aos homens de boa vontade” cantaram os anjos celestiais, anunciando o Seu nascimento, mas, de lá para cá, poucos foram os que ouviram essa mensagem do fundo do coração.
O principal ensinamento de Cristo, “Amai-vos uns aos outros”, continua revolucionário e utópico. Os homens ainda continuam sem entender o que é fraternidade, o que é amor ao próximo, o que é sentir a dor do outro, e o outro torna-se, facilmente, o inimigo a ser exterminado.
As ruas estão cheias de pessoas sem abrigo, sem trabalho, sem comida, sem afeto. E, no entanto, o que se curte nas fotos das redes sociais são mansões luxuosas nas ‘aldeias’ das elites, mesas fartas, férias nas Maldivas, aniversários suntuosos de pessoas milionárias que se dizem cristãs, mas que não dão um tostão de sua fortuna para diminuir a miséria no meio em que vivem.
O mundo não terá futuro, se os mais ricos não se preocuparem com os mais pobres. Os megamilionários que gastam suas fortunas com voltinhas no espaço, numa megalomania absurda, deveriam ter a obrigação de usar sua riqueza na terra, investindo em projetos sociais que diminuam a pobreza.
A riqueza extrema de poucos é a principal causa da pobreza de tantos. E isso não é marxismo, ou comunismo, como afirma a direita radical, mas cristianismo. Paz na Terra só com justiça social. Enquanto uns lutam por migalhas emergenciais, coronéis e generais querem furar o teto do orçamento para receber mais ainda. Políticos e magistrados agem da mesma forma. "Farinha pouca, meu pirão primeiro" é o preceito darwinista da lei do mais forte predominante em países como o nosso em que a força das armas impera.
Desde que um ser hediondo foi posto à frente do poder, em nosso país, e liberou a aquisição de armas, aumentou o número de mortes violentas no Brasil. De acordo com informe divulgado pela “Small Arms Survey”, organização considerada referência mundial na questão da violência armada, o Brasil teve o maior número de mortes violentas do mundo, em 2020. Foram 70,2 mil mortos, o que equivale a mais de 12% do total de registros em todo o planeta.
Em termos absolutos, a entidade aponta que a situação no Brasil supera a violência na Índia, Síria, Nigéria e Venezuela. Como se não bastasse, deputados bolsonaristas, incentivados por seu líder, querem a liberação da caça aos animais silvestres no Brasil, a maioria em extinção. Vade retro, satanás. Os cristãos verdadeiros devem cultivar a vida e não a morte. Jesus nasceu em nome da paz e não da guerra. Escolheu vir em meio a animais e a pastores. E o Seu principal mandamento é “Amar o próximo” e não “Armar o próximo”. Quem não entender isso não pode ser chamado de cristão.