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Literatura

Manoel Jorge Rodrigues, um ilustre poeta capixaba desconhecido

Autor deixou dois livros publicados, “Fugitivas”, em 1893, e “Manhãs de Estio”, em 1896, que não chegou a ver impresso. Palestra na Academia Espírito-santense de Letras vai abordar sua história

Publicado em 06 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

06 dez 2021 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

Não é fácil ser escritor capixaba! Após a hercúlea tarefa de conseguir publicar um livro, ninguém o lê. E ser escritor no Espírito Santo é só por vaidade, pois aqui ninguém consegue sobreviver com a venda de livros. E sempre foi assim! Acabo de ler um e-book do bibliotecário paulistano Auro Malaquias dos Santos, formado em Biblioteconomia e Documentação pela USP, bibliotecário na Biblioteca Pública de Mogi das Cruzes, SP. Auro é escritor, membro da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras, ocupando a cadeira 18 e estará entre nós, a convite da Academia Espírito-santense de Letras, para proferir uma palestra, no dia 13 de dezembro, às 18h, encerrando as comemorações do centenário da AEL.
E qual o motivo da palestra do Auro Malaquias e do convite feito pela AEL? Ele acabou de publicar um e-book sobre o poeta capixaba Manoel Jorge Rodrigues (1861-1886), chamado “O precoce poeta espírito-santense e a busca pelo Parnaso no Brasil do século XXI”, e nos traz à luz um poeta capixaba ilustre, hoje totalmente esquecido entre nós.
Manoel Jorge Rodrigues nasceu em Vitória, em 1881, na antiga Rua da Mangueira, depois da Guerra do Paraguai, chamada Rua 1º de Março, que ia da escadaria do Palácio Anchieta à Rua General Osório. Segundo Elmo Elton, essa rua era cheia de sobrados coloniais, que foram derrubados, posteriormente, e a rua deixou de existir. Em um deles, nasceu Manoel Jorge Rodrigues, segundo filho do desembargador Antônio Joaquim Rodrigues, que ocupou vários cargos na administração: magistrado, chefe de polícia, presidente da Província de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Manoel Jorge Rodrigues foi aluno do professor José Francisco Lellis Horta e do padre Francisco Antunes Siqueira, que lhe deram sólida formação intelectual e humanística. Estudou no Colégio Nossa Senhora da Penha, ao lado de sua casa, onde se formou pedagogo, e muito cedo começou a publicar seus poemas em jornais. O primeiro foi “A Minha Terra”, publicado no jornal “O Espírito-Santense”, dirigido por Basílio Daemon, em 1874, quando tinha apenas 13 anos. Daí pra frente publicou centenas de poesias, em diferentes jornais do país, principalmente em São Paulo e em Minas Gerais, onde residiu e trabalhou.
Aos 15 anos, começou a trabalhar na Estrada de Ferro do Norte, em Taubaté, e foi chefe da estação de Mogi das Cruzes, aos 20 anos, quando publicou o poema “Nocturno”, no primeiro número do jornal “Gazeta de Mogy das Cruzes”, em 27/02/1881. Portanto, é considerado o primeiro poeta a publicar em jornais naquela cidade e foi a partir daí que Auro Malaquias começa a pesquisar a vida e a obra desse notável poeta capixaba, falecido, prematuramente, aos 25 anos, de tuberculose.
Manoel Jorge Rodrigues é o patrono da cadeira 38 da AEL, cujo primeiro ocupante foi o magistrado José Antônio Rui Côrtes (1898-1995) que, provavelmente, conhecia sua obra, pois o escolheu como Patrono quando ela foi criada, em 1938. A partir dali, acho que poucos ou ninguém mais daqui sabia quem era esse poeta capixaba, comparado a Rimbaud, pela precocidade, ou a Byron, pelo romantismo de seus versos.
Manoel Rodrigues deixou dois livros publicados, “Fugitivas”, em 1893, e “Manhãs de Estio”, 1896, que não chegou a ver impresso. Afonso Claudio lhe dedicou um ensaio, mas considerou suas poesias “melancólicas, sentimentais, espasmódicas, diluídas em tanta tristeza que causa um mal-estar indefinível”. Claro! Positivista como era, não aceitava um poeta ultrarromântico, sensível, um gótico tardio.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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