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Cultura

O etarismo e as mulheres, na vida e na arte

Muitas atrizes têm conseguido atuar até os 90 anos ou mais, e o exemplo mais flagrante dessa capacidade é o desempenho espetacular de Fernanda Montenegro, em sua mais recente aparição no cinema, no filme “Vitória”

Publicado em 24 de Março de 2025 às 03:00

Públicado em 

24 mar 2025 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

Etarismo é uma palavra atual que se refere ao preconceito e à discriminação baseados na idade das pessoas. É também conhecido como idadismo ou ageísmo. Pode ser manifestado de várias formas, como a desvalorização da experiência dos mais velhos, a falta de oportunidades profissionais e até a dificuldade de viver ou de conviver em determinados espaços, meios de transporte ou vias de circulação.
Homens e mulheres, após os 60 anos, no Brasil, e 70, em outros países, são chamados de ‘idosos’, possuem alguns direitos estabelecidos em estatutos inócuos, mas, na prática, são tratados de velhos, são discriminados profissionalmente, e isso é mais evidente com as mulheres.
No mundo machista em que vivemos, a mulher jovem é valorizada pela beleza, pela capacidade de trabalhar em funções idênticas a dos homens, mesmo com salários menores, e muito pouco por sua inteligência ou por outras qualidades.
Em minhas pesquisas sobre as mulheres escritoras, constatei que muitas delas diminuíram a idade, por questões pessoais (casamento) ou profissionais. Judith Leão e Haydée Nicolussi são exemplos disso. Atualmente, vejo que misses estão ganhando concursos sem se prenderem às amarras da idade. Uma da Argentina era sexagenária. Na passarela, modelos acima de 60 anos têm encontrado lugar, pois uma roupa que fica bem numa jovem não é adequada para uma senhora de 80. Artistas acima dos 60 têm reivindicado papéis em novelas e cinema, como a Claúdia Ohana, aos 62, se manifestando nas ruas de São Paulo pelo direito de trabalhar.
Muitas atrizes têm conseguido atuar até os 90 anos ou mais, e o exemplo mais flagrante dessa capacidade é o desempenho espetacular de Fernanda Montenegro, em sua mais recente aparição no cinema, no filme “Vitória”. Fernanda, a mãe, dá um show de interpretação, de sensibilidade, de equilíbrio e deve ser lembrada na próxima indicação ao Oscar.
Atriz Fernanda Montenegro protagoniza 'Vitória', último filme de Breno Silveira
Atriz Fernanda Montenegro protagoniza 'Vitória', último filme de Breno Silveira Crédito: Suzanna Tierie/Divulgação
E por falar nesse prêmio, etarismo evidente foi a escolha da única novinha entre as cinco indicadas, as demais muito mais experientes e experimentadas em diferentes papéis. A menina que ganhou em breve será esquecida como a outra que derrotou a nossa Fernanda, há alguns anos. Assisti ao “Anora”, a atriz atuou bem, mas as outras quatro são melhores, inclusive a Thilda de “O quarto ao lado”, não indicada.
Na literatura, em que não se precisa ser jovem e bonita para brilhar, as melhores escritoras são as que se apuram com o tempo, como o vinho. Entre todas as mulheres que ganharam o Nobel, nos últimos anos, todas são idosas, excetuando a coreana, recentemente premiada, a Hang Kang.
O Prêmio Camões, o maior da literatura em português, foi concedido a Adélia Prado, nossa poeta mineira, beirando os 90. E, entre as capixabas, há se destacar Neida Lúcia Moraes, decana da AEL, aos 96 anos; Ester Abreu, ativa presidente da AEL, aos 92 e Bernadette Lyra, nossa estrela fulgurante, aos 87. Mais respeito com as mulheres, incluindo aí as que viveram bastante para contar, é o que se pede aos jovens tiktoqueiros do mundo em que vivemos.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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