No domingo, 23 de abril, comemorou-se o Dia do Livro e dos Direitos do Autor. Esse dia foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por ser a data de nascimento e de morte do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) e a data de nascimento do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616).
Por todo o mundo, os Estados-membros da Unesco celebram o poder dos livros para nos reunir e transmitir a cultura dos povos e seus sonhos de um futuro melhor. A comemoração desse dia nos dá oportunidade para refletirmos juntos sobre as maneiras de melhor disseminar a cultura da palavra escrita e de permitir que todos os indivíduos, homens, mulheres e crianças, tenham acesso a ela, por meio de programas de alfabetização e de apoio a publicações, livrarias, bibliotecas e escolas. Os livros são nossos aliados na disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo.
A cultura brasileira não foi construída, desde a sua formação, pela promoção da leitura entre crianças, jovens e camadas socialmente menos favorecidas da população, devido ao pouco estímulo dado à educação e ao acesso aos livros, e isso ainda persiste, quando se taxam os livros, por considerá-los objetos de consumo da classe rica.
Precisamos de escolas de qualidade, de ensino que prepare a criança e o jovem para a vida, de professores bem remunerados, de bibliotecas atualizadas e bem equipadas, de ensino de tempo integral, onde pais e mães possam deixar seus filhos com tranquilidade; enfim, precisamos, urgentemente, de melhorar a educação em nosso país e isso só pode ser feito com bons profissionais, bem preparados e bem remunerados, espaços adequados para que a educação ocorra, salas de aula adequadas, quadras para práticas esportivas e boas bibliotecas, com acervo atualizado e acesso à internet.
E foi com muita alegria que estive na Escola Municipal de Ensino Fundamental Djayro Gonçalves Lima, em Vila Velha, para falar sobre Monteiro Lobato, no dia de seu nascimento, 18 de abril, e inaugurar uma gostosa biblioteca que leva o meu nome, uma honra e um orgulho que levarei pro resto da vida.
Trata-se da quarta biblioteca escolar que me homenageia, sendo duas em Serra, uma em Vitória e essa de Vila Velha, a cidade onde moro, há quase meio século. Soube pela bibliotecária que os professores escolheram meu nome, coletivamente, depois de uma apresentação feita por uma professora da escola, minha ex-aluna no curso de Letras. Depois, cada série, do primeiro ao quinto ano, escolheu um livro para trabalhar com as crianças e os belos trabalhos foram-me apresentados no dia da minha visita e estão expostos na biblioteca recém-inaugurada que, agora, carrega o meu nome. Que tenha muitos leitores e que amem o livro e a leitura como eu.
É preciso que reencontremos o papel do livro, da leitura e das bibliotecas, em nossas escolas e em nosso país. Que a volta à normalidade democrática, após a tentativa golpista de janeiro, seja um momento para reflexão sobre a necessidade de se promover a formação do hábito de leitura em nosso país. É urgente que se promova a diversidade cultural, a propriedade intelectual e o acesso igualitário à riqueza advinda dos livros.
Esse tempo nos chama também a refletir sobre as mudanças ocorridas com os livros em seus mais de cinco mil anos de existência. Os livros digitais não substituem os impressos, assim como ainda existem os amantes do vinil, mas oferecem novas oportunidades de acesso ao conhecimento, a um custo menor e atingindo um público muito maior. Todas as formas de livro são uma contribuição valiosa para a educação, a disseminação da cultura e da informação, pois são a nossa mais bela invenção para compartilhar ideias e sentimentos, além das fronteiras do espaço e do tempo.
É preciso coragem para enfrentar a concorrência das novas mídias, diminuir o tempo dispendido nas redes sociais e buscar nos livros toda a sabedoria que eles podem nos oferecer.