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Literatura

Por que me sinto mais leitor do que escritor

Escritor que não lê não deveria ser escritor; por isso, duvido da qualidade dos best-sellers de jovens que fazem sucesso na internet e, depois, lançam livros, que são apenas subprodutos midiáticos deste mundo em que vivemos

Publicado em 28 de Julho de 2025 às 03:00

Públicado em 

28 jul 2025 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

“Creio que o escritor é essencialmente um leitor. Sempre um leitor às voltas com a arte da vida transfigurada por palavras” (José Arrabal)
Em 25 de julho, comemorou-se o Dia Nacional do Escritor, data surgida em 1960, após a realização do I Festival do Escritor Brasileiro, iniciativa da União Brasileira dos Escritores. O sucesso do evento foi fundamental para que a data fosse instituída com a finalidade de celebrar a importância do profissional das letras, que nem sempre teve a sua relevância reconhecida, em nosso país.
A Literatura no Brasil sempre foi uma arte cultivada por uma minoria, já que a maioria da população brasileira mal tem acesso aos livros e à leitura em sua precária formação escolar. No entanto, são os escritores que, em verso e prosa, representam e constroem a identidade cultural do país, fazendo da palavra a matéria-prima de sua arte. Por meio de palavras repletas de pensamentos, sentimentos e opiniões, provocam nos leitores diferentes emoções, fazendo-os rir, chorar, recordar e refletir.
Nesse dia, nos grupos de whatsapp, circulam frases do tipo: “Ser escritor é ser o artista que interpreta a vida através da arte” ou “Escrever para alguém é sempre essa necessidade tão humana de aproximar a mão que escreve dos olhos de quem lê”; ou, ainda, esta famosa do Borges: “O livro é a grande memória dos séculos; se os livros desaparecessem, desaparecerá a história e, seguramente, o homem”. É claro que as frases de autores famosos ou anônimos serão acompanhadas de belas imagens, pois o que seria do mundo de hoje, se as letras não fossem acompanhadas de signos visuais, icônicos, de tanta sugestividade e beleza?
Apesar de ser escritor há mais de 40 anos e de ter publicado mais de setenta obras, confesso que me sinto mais leitor do que escritor. Já publiquei muitos livros de diferentes gêneros e modalidades; a escrita, para mim, é um exercício diário profissional mais que de lazer, mas nada me dá mais prazer do que ler um bom livro, bem escrito e que me leve a viajar pelo imaginário e a refletir sobre o homem e o mundo em que vivemos, com todas as suas contradições.
Escritor que não lê não deveria ser escritor; por isso, duvido da qualidade dos best-sellers de jovens que fazem sucesso na internet e, depois, lançam livros, que são apenas subprodutos midiáticos deste mundo em que vivemos. Também não acredito na qualidade de obras em série, criadas apenas para satisfazer a necessidade de segmentos para os quais escrevem as mesmas fórmulas previsíveis, como os que produzem drogas para viciados.
Leitura, paixão por livros
Paixão por livros Crédito: Pixabay
E os que escrevem para si mesmos, apenas para satisfação de egos superinflados de vaidade e necessidade de afirmação? Ah, meus amigos, há de tudo neste nosso mundo tão humano, mas como iniciei este texto com uma citação sobre o escritor e o leitor, também o concluo com outra citação, de Sartre: “É o esforço conjugado do autor com o leitor que fará surgir esse objeto concreto e imaginário que é a obra do espírito. Só existe arte por e para outrem”.
E aproveito para convidar o leitor destas maltraçadas linhas para o lançamento de meu próximo livro: “O aristocrata das letras. Adelpho Poli Monjardim. Vida e obra”, no próximo dia 30, às 18h30, na Biblioteca Municipal de Vitória, na Cidade Alta. Bora lá?

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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