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Francisco Aurelio Ribeiro

Redes sociais ajudam a banalizar lado perverso do ser humano

Imagem dos três macaquinhos sábios propõe uma reflexão que nunca sai de moda: devemos ser cuidadosos com o que dizemos, com o que ouvimos e com o que vemos

Publicado em 16 de Março de 2019 às 02:37

Públicado em 

16 mar 2019 às 02:37

Colunista

Mizaru, Kikazaru e Iwazaru Crédito: Divulgação
Todos conhecem a imagem dos três macaquinhos sábios que ilustram a porta de um templo no Santuário Toshugu, na cidade de Nikko, Japão, que tive a oportunidade de visitar, num dia inesquecível de brumas e névoas. Sua origem é muito remota e alguns a atribuem a Confúcio, sábio chinês do século V a.C, mas chegou até nós por meio de um provérbio japonês que se traduz como “Não ouça o mal, não fale o mal e não veja o mal”.
No mundo Ocidental, a imagem é usada, muitas vezes, com sentido oposto, para se referir àqueles que fazem “vista grossa” diante do mal, por conveniência, acomodação, medo ou precaução. No entanto, os três macaquinhos, cujos nomes são Mizaru, Kikazaru e Iwazaru, nos transmitem um ensinamento simples e propõem uma reflexão que nunca sai de moda, desde os tempos confucianos: devemos ser cuidadosos com o que dizemos, com o que ouvimos e com o que vemos.
Vivemos tempos execráveis, em que o mal é explorado de todas as formas, o que, talvez, acabe estimulando a própria disseminação do lado perverso do ser humano. Não sei se as imagens de mulheres espancadas, mutiladas e mortas por homens sanguinários; corpos de pessoas torturadas, violentadas e assassinadas, até mesmo crianças, exibidas na imprensa e nas mídias sociais; imagens de jovens adolescentes associados ao tráfico exibidas com suas armas bélicas, confesso que não sei se isso ajuda uma sociedade a se tornar melhor. O que sei é que o mal está tão banalizado que até o presidente da República, ignorando a dignidade de seu cargo, se utiliza dessas comunicações sociais e espontâneas para divulgar o lado perverso do ser humano, dando visibilidade a um fato que deveria ficar restrito aos guetos e aos becos.
Hannah Arendt (1906-1975), filósofa alemã judia, estudou essa questão da banalidade do mal ao acompanhar o julgamento do nazista Eichman, em Jerusalém, em 1963. Segundo ela, Eichman não era um demônio, conforme era retratado pelos judeus, mas um típico burocrata, que se limitava a cumprir ordens, sem considerações acerca do bem e do mal. Na mesma obra, Hannah apontou a cumplicidade de lideranças judias com os nazistas, o que lhe granjeou críticas da comunidade judaica e até ameaças de perda do emprego de professora universitária. Arendt ficou como exemplo de pensadora da liberdade, por ter estudado a formação dos grandes regimes autoritários e defendido os direitos individuais contra as sociedades de massa e os crimes contra a pessoa. Taí um belo exemplo de empoderamento feminino para os nossos dias de março causticante e violento.

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