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Educação

Vila Velha apresenta um novo tempo para o livro e a leitura

É uma ilusão imaginarmos que uma sociedade pode se tornar cidadã, consciente, bem informada, sem uma boa escolarização e sem muita leitura

Publicado em 28 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

28 fev 2022 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

Estudante com um livro aberto
Estudante com um livro aberto Crédito: pexels
No dia 22-02-22, data que pode ser lida de trás para frente, uma capicua, palavra de origem catalã, que significa “cabeça e cauda”, ou número palíndromo cujo reverso é ele próprio, criou-se um novo portal de conhecimentos no município de Vila Velha, com relação ao livro e à leitura.
Com a presença de professores, gestores, bibliotecários e muitos escritores, 31 mil livros de literatura foram entregues às bibliotecas municipais e todas as escolas de Vila Velha receberam um conjunto de oitenta títulos diferentes, de autores capixabas, um investimento de R$ 2 milhões. Esses livros chegarão a 41 mil alunos, que terão acesso a esse acervo. Eles estão de acordo com o Projeto IdentidadES, que se iniciou neste ano, nas bibliotecas, e visa fortalecer o patrimônio histórico-cultural do Espírito Santo, por meio da leitura. O investimento feito pela Prefeitura de Vila Velha visa estimular e proporcionar aos alunos canelas-verdes o contato direto com livros e autores capixabas, reforçando a identidade capixaba e enriquecendo a cultura de nosso Estado.
Com essa atitude, a gestão municipal reconhece que o acesso à leitura e à literatura deve ser democrático, de fácil acesso, compartilhado e multiplicado. Vários projetos são desenvolvidos de estímulo à leitura e à escrita, à arte e às expressões artísticas. Entre eles, há alguns anos, o projeto “Entre Versos e Rimas”, os jornais escolares, a contação de histórias e os grupos de leitura.
Neste ano, haverá um investimento maior na formação de professores-leitores, pois sabemos que o professor, aliado aos pedagogos e aos bibliotecários, são os principais responsáveis pela formação e o desenvolvimento do hábito e do gosto pela leitura entre os alunos. Eu mesmo estarei à frente do projeto “Pedagogia da Leitura Literária”, que se inicia agora e vai até o final do ano, culminando com a publicação em e-book de relatos de práticas de formação leitora.
Sabemos que vivemos tempos digitais e que os processos de leitura e de escrita se mudaram para outros suportes e de diferentes maneiras. Vivemos em um mundo em transformação e precisamos aprender a viver nesse novo mundo, em que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Um mundo de culturas líquidas, mutáveis, em constante ebulição.
É uma ilusão imaginarmos que uma sociedade pode se tornar cidadã, consciente, bem informada, sem uma boa escolarização e sem muita leitura. O que tenho visto por aí é uma escola em que nem o professor lê, por não ter tempo, por ter tido uma má formação ou porque está tão fascinado pelas redes sociais como os seus alunos.
A obsessão pelas maquininhas digitais, os fios pendurados nos ouvidos e no pescoço, as pessoas que não ouvem e nem conversam mais com os que estão próximos, tudo isso está transformando os seres humanos em androides, reduplicadores de mensagens vazias de sentido, pobres em conteúdo, fiscalizadoras das intimidades alheias, ávidas de novidades fúteis, obcecadas pelo sucesso a qualquer custo, onde o sofrimento, a angústia e a dor de ser humano não têm vez. Será esse “O Admirável Mundo Novo” descrito por Aldous Huxley há algum tempo? Alguém ainda o lê? Creio que o principal sentido da escola, hoje, é aprender a ler e a viver esses novos tempos.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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