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Educação

O impacto do programa Jovem de Futuro no ensino médio do ES

O desafio agora é manter a posição no ranking e buscar o primeiro lugar entre as redes estaduais, mesmo que ainda não se consiga dimensionar com precisão as consequências da pandemia na aprendizagem dos jovens

Publicado em 23 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

23 fev 2022 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

Colunista

Haroldo Corrêa Rocha

haroldocorrearocha@gmail.com

O Instituto Unibanco acabou de disponibilizar uma trilogia de livros que trazem uma avaliação científica dos impactos do Programa Jovem de Futuro, concebido em 2007 e iniciado a partir de 2008, tendo, portanto, 14 anos de implementação. O programa já atendeu 11 Estados, nas cinco regiões do país, e beneficiou 4.718 escolas e 4,1 milhões de estudantes. Dos quatro Estados que lideram o Ideb do ensino médio, três, entre eles o Espírito Santo, receberam o apoio do Jovem de Futuro.
Trata-se de uma metodologia de gestão escolar, o Circuito de Gestão, adaptada do PDCA (sigla em inglês para Planejar, Executar, Checar e Agir), que apoia os gestores de escolas, regionais e secretarias, com o objetivo de melhorar a aprendizagem e aumentar o sucesso escolar dos estudantes.
A educação estadual do Espírito Santo é um caso de sucesso no uso da metodologia do Programa Jovem de Futuro. Tudo começou em 2014, quando estávamos planejando o terceiro governo de Paulo Hartung. Vencida a terceira eleição para governador em primeiro turno, foi formada a comissão de transição, que deveria interagir com o governo que se encerrava para se apropriar das reais condições das políticas públicas e planejar as primeiras ações do novo governo.
Coube a mim, por delegação do governador, coordenar uma competente equipe de transição. Certo dia o governador me perguntou: “e você vai para onde no governo?” Ao que respondi: “Não sei, pois é o técnico da equipe que escala o time e o técnico é o governador eleito”. Ele respondeu: “Acho que deve ir para a educação, pois, como já foi secretário (2007-2010), já entra jogando”.
Ficou então decidido. Na coordenação da equipe de transição tive que formar uma compreensão da situação geral do Estado em todas as áreas e ao mesmo tempo definir os caminhos a seguir na educação. Já em novembro foi tomada a decisão de priorizar o ensino médio nas ações da Sedu, adotando duas metodologias desenvolvidas com sucesso no Brasil.
Uma foi a Escola da Escolha, que nasceu da parceria do ICE-Instituto de Corresponsabilidade pela Educação com a Secretaria de Educação de Pernambuco. Tratava-se da educação em tempo integral, que no Espírito Santo foi denominada Escola Viva. A segunda metodologia foi o Programa Jovem de Futuro, desenvolvida pelo Instituto Unibanco em parceria com RS, GO, RJ e SP, que foi aplicada nas escolas de ensino médio regular.
A implementação dessas políticas foi iniciada no dia 2 de janeiro de 2015. Assim, todas as escolas de ensino médio foram impactadas ao longo dos anos 2015-2018, sendo 91% das escolas pelo Jovem de Futuro e 9% pela Escola Viva. Ambas as metodologias, ainda que com muitas diferenças, adotavam o Circuito de Gestão (PDCA adaptado ao ambiente escolar) como método, o que implicava o estabelecimento de metas de aprendizagem por escola, plano de ação anual, monitoramento da execução, correção de rota e descrição/compartilhamento de boas práticas.
A rede estadual, por seu lado, já tinha e criou outras condições que favoreceram a implementação das duas metodologias. Os gestores das regionais e das escolas já eram selecionados por avaliação de competências desde 2007, o que significava que tinham as competências necessárias para aquelas funções e trabalhavam alinhados com as diretrizes da Secretaria de Educação. Uma outra condição importante foi criada em 2015 com o PAEBES-TRI, avaliação formativa trimestral da aprendizagem dos estudantes do ensino médio em língua portuguesa e matemática, que foi estratégica para o monitoramento trimestral das metas das escolas.
Foi com a implementação da Escola Viva e do Jovem de Futuro que a rede estadual do Espírito Santo passou do 9º lugar no Ideb do ensino médio em 2013 para o 5º em 2015 e o 2º em 2017 e 2019. Ocorre que o Ideb é um índice composto pela proficiência em língua portuguesa e matemática e pela taxa de aprovação. O mais relevante desse resultado é que, quando se considera apenas a proficiência, o Espírito Santo coloca-se em primeiro lugar, ou seja, os estudantes da rede estadual têm as melhores notas dentre todos os Estados brasileiros.
O desafio agora é manter a posição no ranking e buscar o primeiro lugar entre as redes estaduais. No presente momento ainda não é possível medir os impactos das mudanças introduzidas nestas políticas nos últimos anos e nem dimensionar com precisão as consequências da pandemia na aprendizagem dos jovens. Essa é uma tarefa para o futuro.
O Programa Jovem de Futuro, com certeza, na medida em que qualificou os gestores da rede estadual, que responde por 81,2% das matrículas do ensino médio, muito contribuiu para que o Espírito Santo alcançasse a posição de melhor ensino médio do Brasil, quando se considera todas as redes de ensino.

Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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