O Instituto Unibanco acabou de disponibilizar uma trilogia de livros que trazem uma avaliação científica dos impactos do Programa Jovem de Futuro, concebido em 2007 e iniciado a partir de 2008, tendo, portanto, 14 anos de implementação. O programa já atendeu 11 Estados, nas cinco regiões do país, e beneficiou 4.718 escolas e 4,1 milhões de estudantes. Dos quatro Estados que lideram o Ideb do ensino médio, três, entre eles o Espírito Santo, receberam o apoio do Jovem de Futuro.
Trata-se de uma metodologia de gestão escolar, o Circuito de Gestão, adaptada do PDCA (sigla em inglês para Planejar, Executar, Checar e Agir), que apoia os gestores de escolas, regionais e secretarias, com o objetivo de melhorar a aprendizagem e aumentar o sucesso escolar dos estudantes.
A educação estadual do Espírito Santo é um caso de sucesso no uso da metodologia do Programa Jovem de Futuro. Tudo começou em 2014, quando estávamos planejando o terceiro governo de Paulo Hartung. Vencida a terceira eleição para governador em primeiro turno, foi formada a comissão de transição, que deveria interagir com o governo que se encerrava para se apropriar das reais condições das políticas públicas e planejar as primeiras ações do novo governo.
Coube a mim, por delegação do governador, coordenar uma competente equipe de transição. Certo dia o governador me perguntou: “e você vai para onde no governo?” Ao que respondi: “Não sei, pois é o técnico da equipe que escala o time e o técnico é o governador eleito”. Ele respondeu: “Acho que deve ir para a educação, pois, como já foi secretário (2007-2010), já entra jogando”.
Ficou então decidido. Na coordenação da equipe de transição tive que formar uma compreensão da situação geral do Estado em todas as áreas e ao mesmo tempo definir os caminhos a seguir na educação. Já em novembro foi tomada a decisão de priorizar o ensino médio nas ações da Sedu, adotando duas metodologias desenvolvidas com sucesso no Brasil.
Uma foi a Escola da Escolha, que nasceu da parceria do ICE-Instituto de Corresponsabilidade pela Educação com a Secretaria de Educação de Pernambuco. Tratava-se da educação em tempo integral, que no Espírito Santo foi denominada Escola Viva. A segunda metodologia foi o Programa Jovem de Futuro, desenvolvida pelo Instituto Unibanco em parceria com RS, GO, RJ e SP, que foi aplicada nas escolas de ensino médio regular.
A implementação dessas políticas foi iniciada no dia 2 de janeiro de 2015. Assim, todas as escolas de ensino médio foram impactadas ao longo dos anos 2015-2018, sendo 91% das escolas pelo Jovem de Futuro e 9% pela Escola Viva. Ambas as metodologias, ainda que com muitas diferenças, adotavam o Circuito de Gestão (PDCA adaptado ao ambiente escolar) como método, o que implicava o estabelecimento de metas de aprendizagem por escola, plano de ação anual, monitoramento da execução, correção de rota e descrição/compartilhamento de boas práticas.
A rede estadual, por seu lado, já tinha e criou outras condições que favoreceram a implementação das duas metodologias. Os gestores das regionais e das escolas já eram selecionados por avaliação de competências desde 2007, o que significava que tinham as competências necessárias para aquelas funções e trabalhavam alinhados com as diretrizes da Secretaria de Educação. Uma outra condição importante foi criada em 2015 com o PAEBES-TRI, avaliação formativa trimestral da aprendizagem dos estudantes do ensino médio em língua portuguesa e matemática, que foi estratégica para o monitoramento trimestral das metas das escolas.
Foi com a implementação da Escola Viva e do Jovem de Futuro que a rede estadual do Espírito Santo passou do 9º lugar no Ideb do ensino médio em 2013 para o 5º em 2015 e o 2º em 2017 e 2019. Ocorre que o Ideb é um índice composto pela proficiência em língua portuguesa e matemática e pela taxa de aprovação. O mais relevante desse resultado é que, quando se considera apenas a proficiência, o Espírito Santo coloca-se em primeiro lugar, ou seja, os estudantes da rede estadual têm as melhores notas dentre todos os Estados brasileiros.
O desafio agora é manter a posição no ranking e buscar o primeiro lugar entre as redes estaduais. No presente momento ainda não é possível medir os impactos das mudanças introduzidas nestas políticas nos últimos anos e nem dimensionar com precisão as consequências da pandemia na aprendizagem dos jovens. Essa é uma tarefa para o futuro.
O Programa Jovem de Futuro, com certeza, na medida em que qualificou os gestores da rede estadual, que responde por 81,2% das matrículas do ensino médio, muito contribuiu para que o Espírito Santo alcançasse a posição de melhor ensino médio do Brasil, quando se considera todas as redes de ensino.