Os líderes importam. Os líderes lideram pessoas. Os líderes são os guardiões dos objetivos institucionais e das metas a serem atingidas. Os líderes precisam ter conhecimento, capacidade de ouvir e empatia. Precisam ser inspiradores e éticos.
Infelizmente, no Brasil, nas redes públicas de ensino estaduais e municipais, ainda se dá pouca importância ao papel das lideranças, que precisam ter múltiplas competências para gerir pelo menos dez dimensões complexas: planejamento e gestão estratégica; recursos humanos, o recurso mais estratégico em qualquer organização, principalmente na educação; gestão de desempenho e de desenvolvimento de pessoas; currículo e coordenação pedagógica; gestão de sala de aula e de laboratórios; orçamento e finanças; licitação, compras e gestão de materiais pedagógicos e não pedagógicos; tecnologia e inovação; rede física e logística de serviços operacionais; relações com famílias e lideranças políticas e comunitárias.
As posições de lideranças não podem ser ocupadas apenas por indicação política, por relações de amizade ou por processo eleitoral. Certamente os sistemas educativos públicos têm uma dimensão política no sentido de que deve haver ampla participação e colaboração de todos os agentes que são responsáveis pelo desenvolvimento das crianças e jovens.
Contudo, deve-se valorizar o recrutamento dos líderes através de processos seletivos inteligentes e transparentes, baseados em avaliação de competências e que utilizem diferentes técnicas e etapas. O desempenho dos líderes e o seu desenvolvimento precisam ser adequadamente monitorados e avaliados, para que suas competências possam ser crescentemente aperfeiçoadas.
A remuneração e os reconhecimentos não monetários devem ser adequados, estimulantes e de alguma forma vinculados aos seus esforços e resultados. Finalmente, os líderes devem receber cuidados com sua saúde mental e física, voltados para a busca permanente de uma situação de bem-estar.
E quais são os cincos níveis em que se exerce a liderança nos sistemas públicos de educação?
- Nível de secretário/a;
- Segundo e terceiro escalão do órgão central;
- Órgãos regionais (diretorias, superintendências);
- Direção de unidades escolares e respectivas equipes gestoras;
- Professores, os líderes das salas de aulas.
Muitos podem achar que a função de liderança e gestão não se aplica aos professores, mas é importante observar que estes precisam ser inspiradores para seus alunos e serem dotados de todas as competências de liderança, porque trabalham diretamente com crianças e jovens, educandos em fase de desenvolvimento, que neste tempo em que estamos vivendo têm milhares de atividades que disputam as suas atenções.
O professor precisa tornar-se polo de atração e de promoção de engajamento. Os professores precisam ser verdadeiros líderes da sala de aula e de indicação de caminhos para a busca do conhecimento.
Os líderes precisam ser acolhedores e devem se dedicar a cuidar das pessoas, mas ao mesmo tempo precisam ser cuidados pelos seus pares e pelos liderados. O ambiente educativo e suas relações com as famílias e com o entorno escolar precisam ser baseados na ética e na colaboração. Não há possibilidade de ter uma educação que potencialize o pensamento crítico e a criatividade se o sistema educativo não se constituir num ambiente seguro, de promoção do engajamento e de trabalho colaborativo. Há um papel a ser desempenhado pelo líderes que não pode ser negligenciado.
Líderes competentes, adequadamente selecionados, valorizados e profissionalizados são essenciais para garantir a melhoria contínua da qualidade da aprendizagem e o desenvolvimento das competências do século XXI em todas as crianças e jovens brasileiros.
Nos dois períodos em que lideramos a Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo, procuramos valorizar as funções de liderança e adotar sistemas de seleção que priorizassem as competências necessárias a cada função. Foi assim que garantimos alinhamento e coerência entre todos os níveis hierárquicos, execução das diretrizes da secretaria e ao mesmo tempo valorização dos talentos e da criatividade de todos que participavam do sistema.
Em todos os níveis, a tônica foi profissionalizar a gestão e melhorar os resultados de aprendizagem, o que teve um papel central na conquista da posição de melhor ensino médio do país.
O Brasil precisa reconhecer e valorizar as funções de liderança, porque elas são alavancas para o desenvolvimento e para a melhoria da qualidade da educação pública.