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Segurança pública

Ainda sobre a polícia penal: o que os olhos não veem

Infelizmente, tomar conta de presos é como cuidar do esgoto: nunca rendeu votos. Se ele corre a céu aberto, todo mundo reclama, mas, se é feita toda a infraestrutura necessária, ela fica debaixo da terra

Publicado em 30 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

30 jan 2022 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Presídio do Espírito Santo
Presídio do Espírito Santo Crédito: Reprodução/ TV Gazeta
Não deu para esgotar o tema e nem vai dar, mas vamos interromper, neste, a série de artigos sobre a Polícia Penal, esta nova instituição da segurança pública, tão nova que ainda não existe.
Os números podem não estar exatos, mas são cerca 1,9 mil inspetores penitenciários efetivos e 1,4 mil em designação temporária. A remuneração inicial não é muito diferente daquela paga pela PM e pela PC. É uma corporação bem maior que a Polícia Civil, por exemplo, mas ninguém ouve falar deles. Pode parecer muito, mas esse pessoal, de que a maior parte da população nem se dá conta, é responsável pela guarda de cerca de 24 mil presos, se estou atualizado. Acontece que presídio não é como uma escola, que fecha. É preciso tomar conta de todas aquelas pessoas 24 horas por dia. Então, são centenas de internos para cada inspetor em serviço.
Já avançamos muito, se pensarmos que há pouco mais de 20 anos não havia nada disso: os poucos trabalhadores do sistema carcerário não tinham treinamento, armas ou sequer uniforme, eram designados quase informalmente e recebiam um salário de fome. Contudo, podemos avançar muito mais, agora que surgiu a base constitucional para transformar um monte de servidores em uma verdadeira instituição pública.
Não é demais insistir: quem faria um sistema de saúde que só tivesse ambulâncias e não hospitais? O problema é que ninguém nota os estabelecimentos prisionais, que ficam em lugares isolados; ninguém vê os inspetores penitenciários pelas ruas. Então pode ficar a ilusão de que podemos viver sem eles, sem o trabalho que eles fazem. Não há muito interesse da população sobre o acontece lá, se está funcionando direito. Fora aquele pessoal que acha que cadeia bem cuidada é coisa de Direitos Humanos.
Aqui chegamos a outro ponto importante: as facções criminosas surgiram e se fortaleceram dentro das prisões e ainda dependem completamente delas para continuarem existindo. É o trabalho desses profissionais que pode dificultar ou facilitar a vida do PCC e assemelhados. É deles a tarefa de impedir que fujam, façam rebeliões, continuem comandando o crime de dentro da cela, mas nada é visto a não ser quando acontece algo muito grave.
Infelizmente, tomar conta de presos é como cuidar do esgoto: nunca rendeu votos. Se ele corre a céu aberto, todo mundo reclama, mas, se é feita toda a infraestrutura necessária, ela fica debaixo da terra. Não tem inauguração nem banda de música e a população esquece, ninguém presta atenção nem dá valor. Se aparece uma fedentina, muita gente reclama, mas pouca quer descobrir de onde ela vem.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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