Pronto! Depois de mais um ataque de aluno contra professores e colegas, só faltava essa: quatro crianças assassinadas por um adulto em uma creche. Tirando o caráter igualmente trágico e irracional, é muito precipitado associar esses episódios. Só encontramos notícias jornalísticas de dois casos de crimes cometidos por maiores de idade; um deles, de 2011, um ex-aluno. E não dá para contar com estatísticas ou levantamentos oficiais.
De um lado, é difícil para um leigo não associar esse comportamento a patologias mentais, mas não necessariamente os autores são realmente “loucos” ou “inimputáveis”, que seria a terminologia jurídica. Até por isso mesmo, seria importante desenvolvermos pesquisas científicas de psicólogos e psiquiatras tendo por “sujeitos” os autores desses atentados.
Não dá para lidar com um problema que nem sequer se compreende e, convenhamos, é muito difícil entender o que passa pela cabeça de uma pessoa dessas. Definitivamente, isso não é tarefa para juristas ou para a população em geral. Mesmo profissionais da “área psi” altamente capacitados certamente achariam essa tarefa muito desafiadora.
Com mais forte razão, precisamos repetir aqui o que dissemos semana passada: antes de mais nada, é preciso admitir a insuficiência do nosso conhecimento sobre o tema e, consequentemente, a impossibilidade de apontar soluções eficientes que não comprometam o ambiente de aprendizado e tenham custos viáveis. Autoridade pública nenhuma pode ter medo de admitir perante a população uma certa impotência e frustração, porque a verdade é que ninguém tem uma resposta mágica no bolso.
Também é preciso sublinhar novamente que o medo e o ódio são maus conselheiros. Pior ainda o pânico. Essas notícias embrulham o estômago e causam indignação, até mesmo furor na população, mas, exatamente por isso, levam a uma percepção distorcida da probabilidade de acontecer com o filho de cada leitor. Aliás, mesmo que a situação fosse mais grave, é sempre necessário lidar racionalmente com os nossos desafios, utilizando o que houver de conhecimento científico disponível e tentando aumenta-lo.
Há razoável suspeita de que, além de condições psicológicas individuais dos perpetradores, haja um processo de “mimetização”, ou seja, a imitação de acontecimentos reais noticiados ou, há quem diga, em jogos eletrônicos. A associação ao sofrimento de bulliyng também é razoável, mas, registre-se, são apenas hipóteses plausíveis, não uma certeza científica.
Nem por isso a conclusão é a de que a imprensa deve deixar de noticiar esses fatos ou a de que não havia bulliyng antigamente; só não se usava essa palavra. Também não dá para cravar que tudo isso venha de sites na internet, muito menos transformar isso em uma questão de esquerda ou direita: todos os regimes políticos tiveram os seus monstros, inclusive a democracia.
Claro que esses indivíduos precisarão ser detidos e punidos conforme a lei, mas vamos combinar que isso é só uma providência óbvia, mas insuficiente. A bola está com psicólogos e psiquiatras, antes de mais nada, não com juízes e policiais.