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Violência

As (muitas) escolhas de Sofia na segurança pública

Venho repetindo sistematicamente o quanto a PMES foi bem treinada pelo Método Giraldi de tiro, foi ensinada e comandada de maneira a não matar senão quando estritamente indispensável, e isso não se perde da noite para o dia

Publicado em 23 de Março de 2025 às 04:00

Públicado em 

23 mar 2025 às 04:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

aumento das mortes em confrontos com a polícia no Espírito Santo ganhou um certo destaque esta semana, mas a questão não é nem um pouco nova. Falamos disso aqui nesta mesma coluna algum tempo atrás, mas já vínhamos tratando da questão há anos, abordando vários temas relacionados.
O anuário de segurança pública registrou que foram 73 óbitos em 2024 contra 53 em 2023, mas a conta só fica clara quando vemos que ocorreram apenas 19 em 2017, passando para 26 em 2018, para 34 em 2019 e para 41 em 2020; em 2021 até diminuíram um pouco, para 39, mas oscilou com tendência de alta: foram 60 em 2022. No final das contas, de 19 para 73 óbitos por ano.
Esse aumento é muito grande e muito universalizado para colocar na conta da decisão individual de alguns poucos policiais ou criminosos. E rápido demais para que possa ser atribuído a mudanças culturais, seja nas corporações do Estado, seja nas facções. Venho repetindo sistematicamente, aqui e em outras oportunidades, o quanto a PMES foi bem treinada pelo Método Giraldi de tiro, foi ensinada e comandada de maneira a não matar senão quando estritamente indispensável, e isso não se perde da noite para o dia. E os bandidos de oto anos atrás não eram bonzinhos e agora é que resolveram defender suas drogas e armas.
A única explicação que sobra para esse crescimento rápido e sistemático são escolhas estratégicas no emprego geral da tropa. Aparentemente, se decidiu enfatizar o enfrentamento do tráfico. Outra decisão que parece ter ocorrido, que não é uma consequência necessária da primeira, é a de fazer isso por meio de atrito direto e constante com os traficantes. Alguém poderia colocar a PM para tomar conta das praças e jardins e provavelmente não teríamos quase nenhum confronto, mas também nenhum resultado operacional, é óbvio. Todavia, priorizar incursões frontais nas bocas de fumo não é a única alternativa, nem necessariamente a mais eficiente em reduzir a oferta de substâncias ilícitas.
O grande problema é que um discurso duro e uma prática repressiva com mais confrontos, conforme as circunstâncias, podem levar os criminosos a se tornarem mais agressivos em vez de recuarem e não será de estranhar se isso estiver acontecendo. E para isso escalar também não é difícil.
Corridas armamentistas ocorrem entre países, mas também entre grupos menores e até entre pessoas. E quem terá razão? EUA ou União Soviética? No nosso caso, os criminosos estão errados por definição, isto é, estão contra a lei desde o princípio e, portanto, nunca poderiam ter razão, mas isso não significa que seja o melhor para a sociedade.
Viatura da Polícia Militar; viatura; Polícia Militar
Viatura da Polícia Militar Crédito: Wilson Rodrigues
Note o leitor que não estamos falando em direitos humanos. Essa é uma abordagem estritamente utilitária do assunto. O recrudescimento da interação em policiais e criminosos traz riscos também à integridade física e psicológica dos profissionais de segurança. Gera desgaste e cansaço. Problemas jurídicos para quem se vê envolvido nestas situações etc.
E, claro, perigo e estresse também para a população, especialmente os vizinhos dos traficantes. É um custo alto e, se estiver crescendo, é preciso analisar até que ponto vale a pena e se temos opções melhores. Bater de frente trocando tiros ou entregar as ruas para a bandidagem não são as duas únicas possibilidades.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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