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Sistema prisional

Ataque a ônibus com presos no ES é alerta que não pode ser ignorado

Episódio se soma a uma lista de “nunca antes na história” do sistema penitenciário capixaba. Sinais sendo sistematicamente emitidos de que está sendo perdido o frágil equilíbrio até então mantido

Publicado em 13 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 mar 2022 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Viana
Um detento acabou morto e teve o corpo arrastado por um caminhão carregado com cana-de-açúcar após ataque a ônibus em Viana Crédito: Archimedis Patrício
Parece haver chamado pouco a atenção pública um gravíssimo incidente em que foi emboscado um ônibus do Transcol que transportava presos em regime semiaberto, que voltavam para o presídio após trabalho externo. Resultou morto um dos internos e a população, como sempre, não deu muita bola.
Em primeiro lugar, é preciso registrar que não houve nenhuma fuga. Mesmo os dois que saíram do local se apresentaram logo em seguida, mostrando que escaparam apenas por medo do tiroteio. Trataremos do tema em um próximo artigo, porque isso nos ensina muita coisa a respeito do processo de ressocialização e do quanto ele pode funcionar bem, se for adequadamente executado.
Por outro lado, não se tem notícia de fato semelhante, especialmente no ES. Nem de atentados contra presos que estivessem sendo transportados, nem de tentativas de resgatá-los, mesmo quando de alta periculosidade. Em parte porque o serviço de inteligência prisional faz um trabalho preventivo
Em particular, espanta que isso aconteça com quem já está na última fase de sua pena, bem como a extraordinária – na verdade, inteiramente desnecessária – agressividade do atentado criminoso, que pareceu muito mais uma demonstração de força, um desafio contra as autoridades públicas vindo do que tem ares de uma facção criminosa.
Teria havido uma falha do serviço de inteligência? Teriam sido ignorados seus avisos? Ou realmente isso foi totalmente imprevisível? Não temos como saber, mas o episódio se soma a uma lista de “nunca antes na história” do sistema penitenciário capixaba. Sinais sendo sistematicamente emitidos de que está sendo perdido o frágil equilíbrio até então mantido a despeito da combinação entre superlotação e déficit de policiais penitenciários, agravado pelo fato de grande parte destes, por estarem em designação temporária, não poderem portar armas. Nessas circunstâncias, tanto pode haver uma lenta e progressiva degradação da disciplina interna, do controle sobre os presos, como uma explosão de efeitos imprevisíveis.
Nossas cadeias são como um vulcão. Podem estar calmos, mas entrar em erupção sem qualquer aviso. E, se o chão fica tremendo e começa a sair uma fumaça estranha, é bom começar a monitorar com cuidado redobrado.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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