Por conta do fechamento de edição, estas linhas são escritas enquanto ainda não há informações mais claras sobre os atentados em colégios de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. E surge pelo WhatsApp a notícia não confirmada de um episódio semelhante em Colatina. Com tanta coisa boa, parece que, junto com o armamentismo, estamos importando dos EUA justamente a violência na escola...
É mesmo como uma doença contagiosa: cada ocorrência desse tipo inspira a sua repetição em outro lugar. Também não há dúvidas de que esse tipo de incidente só é possível quando há disponibilidade descontrolada de armas de fogo. Contudo, o que fazer?
Claro que não se pode deixar de prender os autores, mas isso não nos livrará do fenômeno. Também não é má ideia disponibilizar “botões de pânico” para as escolas, embora sabendo que geralmente o atendimento não será rápido o suficiente, já que tudo costuma ocorrer em poucos minutos. Já colocar detectores de metal não teria muito efeito prático a não ser que, como nas agências bancárias, realmente houvesse meio capaz de impedir a entrada; em todo caso, seria algo muito dispendioso, pouco adequado a um ambiente de aprendizado e traria muitos transtornos na entrada e saída dos alunos, porque a vazão é lenta. A despeito de todo o horror e choque que esses eventos produzem, eles são uma exceção e tampouco faz sentido deixar policiais de plantão em cada estabelecimento de ensino.
A experiência mais bem-sucedida para evitar a violência nesses que deveriam ser santuários de tranquilidade é a Patrulha Escolar, da PMES, e programas semelhantes de algumas guardas municipais. Com uma atuação de elevada capacidade preventiva e baixo custo, isso precisa, antes de mais nada, ser estendido a toda escola pública, sem exceção.
Por outro lado, será necessário perder a inocência e entender que, de agora em diante, isto precisará ser objeto de discussão e pesquisa científica. É preciso diagnosticar e enfrentar as causas da violência na escola, da escola e contra a escola. Será essencial capacitar os professores para mais essa função.
Sem alarde, muita coisa tem avançado. Por exemplo, um estudo mostrou que, desde o ensino fundamental I, as crianças já dão sinais perceptíveis de que algo não vai bem e se refletirá em evasão escolar e envolvimento com o tráfico no fundamental II, mas sabemos pouco do que acontece na passagem para o ensino médio. Há como intervir precocemente e evitar que muita coisa ruim sobrevenha, não apenas massacres.
Isso tudo é algo que não desejamos para ninguém. Algo diante do que não podemos nos omitir, mas também mais um grande desafio nesta área do conhecimento tão pouco desenvolvida e que só recentemente foi reconhecida oficialmente, a segurança pública. Nem só com polícia esse novo problema será resolvido.
*Este artigo foi escrito e enviado antes do detalhamento sobre os ataques a tiros em duas escolas de Aracruz e antes da confirmação de que um adolescente esfaqueou quatro alunos em uma escola de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. Segundo a prefeitura de Colatina, o caso não tem relação com os crimes em Aracruz.