Uma gangue que praticava “sequestros do Pix” foi presa pela Guarda Municipal de Vitória após um bom trabalho de inteligência, e a PM cuidou de deter um quarto elemento que conseguiu se evadir. Mais ou menos ao mesmo tempo, a PM prendeu suspeitos de praticarem um arrastão. Enquanto isso, uma segunda quadrilha está na mira da Polícia Civil. Tudo isso apenas em Jardim da Penha.
É, mesmo, intolerável tanta violência em apenas um bairro, como também que se desenvolva mais uma “moda” na criminalidade. Agindo com relativa rapidez e de maneira consistente, parece que as autoridades de segurança pública estão no caminho certo para enfrentar o problema. Claro que não haverá uma solução mágica e crimes contra o patrimônio continuarão ocorrendo, mas um passo foi dado na direção certa.
Em primeiro lugar, houve uma escolha racional e planejada de atuação das polícias. Aparentemente, três foram os critérios para fixar essa prioridade operacional: tratava-se de muitas ocorrências derivadas de poucos infratores, de maneira que essas poucas prisões trazem muito impacto na segurança local e não pressionam a superlotação carcerária; de outro lado, a própria repetição dos crimes facilita a investigação, até porque é possível juntar pistas deixadas em ocorrências diferentes; por fim, não se trata apenas de proteger o dinheiro das pessoas, mas a sua integridade física e sua tranquilidade.
Esse tipo de evento afeta profundamente as vítimas e a própria comunidade como um todo, já que todos ficam sabendo do fato. Alguns lembrariam que uma das quadrilhas utilizava apenas um simulacro de arma de fogo, e esse detalhe é realmente importante, mas vá alguém convencer as vítimas de que podem deixar o trauma para lá.
Há outras questões importantes a serem vistas também. A falta de segurança patrimonial prejudica muito a atividade econômica, chegando a inviabilizar certas empresas, além de espantar o turista. E a população em geral acaba alterando seus hábitos, abrindo mão de exercícios ao ar livre, passeios, programas noturnos etc. Aliás, isso também se reflete em uma menor atividade comercial. Um país, um estado, uma cidade que quer prosperar não precisa acabar com os crimes patrimoniais, mas precisa reduzi-los a níveis com os quais se possa conviver.
Tá, foi apenas um passo e pequeno, mas foi assim que o Espírito Santo começou a virar o jogo em relação aos homicídios. Como diria Barack Obama, “yes, we can”!