Nesta semana, as forças policiais tiveram um grande êxito com a prisão do famigerado Marujo, apontado como segundo no comando e, na prática, chefe em exercício de uma facção criminosa. Muito trabalho foi investido para obter esse sucesso e, claro, congratulações são indispensáveis, mas é preciso entender que a substituição dele é inevitável.
E, ainda que a facção acabe se desorganizando internamente, só há duas hipóteses possíveis: ou ela se divide em duas ou mais novas facções (o que pode ser até pior) ou o espaço que ela ocupava será preenchido por outra organização criminosa.
Precisamos entender, em primeiro lugar, que o tráfico de drogas funciona exatamente como uma atividade econômica e que se trata de um mercado maduro. Em outras palavras, ele só é limitado atualmente pela quantidade de pessoas que desejam consumir entorpecentes.
Esse consumidor cria uma pressão de demanda que necessariamente será atendida. Por outro lado, ninguém consegue aumentar suas vendas sem tirar “fregueses” do outro – só que essa disputa é travada a bala, não por meio de agências de publicidade.
Consequentemente, devemos aceitar que essa prisão, por mais importante que seja, tem apenas um efeito transitório. Sem ela, a facção criminosa tenderia a crescer cada vez mais, tornar-se mais poderosa a cada dia. Por outro lado, ganhamos tempo para adotar as estratégias que realmente são capazes de solucionar o problema de maneira definitiva – não imediata, mas irreversível. As principais são indiretas.
De um lado, facções criminosas dependem de um sistema carcerário desorganizado. Quanto pior, melhor. É o que permite não apenas a comunicação entre os presos e os criminosos em liberdade, não apenas cometer crimes mesmo encarcerado, mas também controlar quem está nas ruas. Sim, porque o traficante solto não teria nenhum motivo para obedecer àquela antiga liderança que está presa, senão o fato de saber que um dia se encontrará com ela no presídio, e será cobrado.
O sistema capixaba é dos melhores, senão o melhor do país, mas a superlotação vem deteriorando sua qualidade e há também a necessidade, prestes a ser atendida, de nomear muitos mais policiais penais.
Por outro viés, a arma mais eficiente que temos é o nosso sistema escolar. Quanto mais ele for capaz de manter as crianças e adolescentes matriculados e estudando, melhor. E o ideal é que se trate de ensino integral, especialmente no ensino fundamental.
Não adianta chiar: só os professores podem realmente limpar nossas ruas de criminosos; as forças policiais, por melhor que trabalhem, fazem apenas a contenção, exercem um certo controle, mas prender (ou mesmo matar) nunca foi nem será uma saída categórica, final, nunca encerrará o problema da violência de uma vez por todas.