Sem muito alarde, a Delegacia Especializada em Investigações Criminais de Colatina anunciou a prisão do líder de uma quadrilha que se dedicava ao furto de equipamentos agrícolas. Tudo bem que foi um caso isolado e, aparentemente, de repercussão limitada à região, mas essa ação ganha importância se for a primeira de uma série de notícias semelhantes.
Todo crime patrimonial contra empresas afeta a própria atividade econômica e, portanto, reflete em muito mais que o prejuízo imediato. No limite, pode inviabilizar a produção e eliminar empregos. Por essa razão, o crime contra produtores rurais deve ter uma atenção semelhante ao roubo de cargas.
Todavia, já tratamos aqui do quanto é difícil implementar um patrulhamento preventivo nas áreas rurais. A extensão é muito grande, não haveria efetivo que desse conta. Por outro lado, é claro que o ideal seria evitar que o crime ocorra, mas, se não for possível, impedir que ele se repita é quase tão bom quanto.
Portanto, a prisão dos criminosos tem muito mais do que apenas o efeito de fazer justiça e castigar suas malfeitorias, prevenindo crimes futuros. Há vantagens adicionais, pois, a partir uma detenção inicial, geralmente é possível identificar e desbaratar quadrilhas inteiras e também receptadores, outras quadrilhas com ligações etc. Quer dizer, depois que se encontra o fio da meada, os bandidos vão aparecendo em fila.
Não se trata de dizer que uma instituição policial trabalha melhor que a outra, mas de perceber que cada uma tem sua vocação e suas funções estabelecidas na Constituição Federal. A PMES pode aprimorar sua atuação no campo por meio de inteligência e tecnologia, mas a investigação posterior dos crimes rurais costuma trazer resultados a menor custo.
Para o leitor que não sabe, quase não temos roubos e furtos de cargas no ES, principalmente se compararmos com o RJ. Isso é fruto de um excelente trabalho feito há vários anos, desencorajando os assaltantes, ao menos dentro de nossas fronteiras. Com isso, os custos diminuem, beneficiando tanto os empresários como os consumidores, passando pelos empregados. Além disso, é menos risco para os motoristas.
Ora, o Espírito Santo também tem uma conhecida vocação agropecuária, atividade responsável por muitos empregos. Todavia, há muitos reclamos dos empresários rurais em razão dos crimes patrimoniais, seja de gado, seja de eucalipto, seja de implementos agrícolas etc. Dar uma atenção especial a esses crimes é não apenas justo com a população do campo, mas também importante para o desenvolvimento econômico e social capixaba.
Nada contra o patrulhamento rural, mas, como dissemos, seria um baita desafio montar um programa dessa natureza. Já um trabalho investigativo focado não precisa custar caro, nem demorar a ser implementado; não depende de obter tecnologia ou equipamentos adicionais.
Enfim, é relativamente fácil e rápido de fazer e, considerando que os homicídios vêm mantendo a tendência de queda, está surgindo espaço na agenda para combater os crimes patrimoniais, sendo que é interessante começar por alguns nichos. Por isso a notícia é mais animadora e interessante do que pode parecer à primeira vista.