Uma das mais importantes medidas na área de segurança pública mal foi divulgada e está passando praticamente despercebida pela população: a realização de um concurso para nomeação de mil policiais civis. Essa quantidade de novos servidores da segurança pública já mereceria um anúncio muito mais ruidoso por si mesma, mas ela terá desdobramentos muito maiores do que a maioria poderia esperar.
Todos os comandantes de forças da segurança pública estão sempre a reclamar por reforços, mas nem todo mundo entende que existe uma proporção ideal entre o número de policiais militares, de policiais civis, de promotores criminais, de juízes criminais e de policiais penais. Não que eu saiba exatamente qual é essa proporção, mas que ela existe, existe. E andava claramente desbalanceada.
Com praticamente o dobro de presos para os quais foi planejado, o sistema carcerário só ainda não explodiu graças ao profissionalismo dos policiais penais capixabas e à gestão habilidosa da Sejus e dos Diretores dos presídios. O concurso anunciado há alguns meses é um alívio enorme, embora a gente saiba que se trata de um processo demorado até termos esses servidores devidamente treinados e trabalhando.
Já a Polícia Civil, que sempre foi historicamente anêmica, vinha perdendo muitos quadros, por aposentadoria ou por aprovação em outros concursos. O resultado disso se revela em duas dimensões. De um lado, filas insuportavelmente demoradas para que as guarnições da PM possam lavrar os flagrantes das prisões que efetuam e, de outro, a extrema limitação da capacidade investigativa própria. Enquanto isso, as patrulhas, que no papel estariam nas ruas, na realidade estão estacionadas aguardando atendimento.
De outro lado, milhares de crimes de solução relativamente fácil estão parados nas prateleiras porque não há pessoal suficiente para examinar filmagens, por exemplo. Hoje em dia, com o barateamento da tecnologia, há câmeras para todo lado, mas selecionar as imagens leva tempo.
Os criminosos, por outro lado, deixam impressões digitais que nem sempre são colhidas, sempre por falta de pessoal. Quando há recursos humanos suficientes, os resultados das investigações são impressionantes.
Sabe quando a fruta está madurinha no pé e só falta uma escada? Essa é a situação atual da PCES que, pelo visto, vai ser solucionada no médio prazo. Não adianta ter pressa, porque a providência correta é essa, mesmo: realizar concurso, treinar os novos policiais e, só então, coloca-los para trabalhar.
Só que essa solução, adotada com exagerada modéstia, vai dar um gás danado às investigações, com uma vantagem adicional: as prisões em flagrante acontecem não tanto por decisão da PM, mas porque o bandido escolheu a hora errada de agir e foi apanhado com a boca na botija.
Já as investigações posteriores sempre podem ter priorização, isto é, podemos escolher os criminosos mais ativos ou violentos para tirar das ruas. E não tem prende-e-solta, porque a prisão já ocorre mediante ordem judicial, com as provas todas na mão do juiz.
Não se trata de escolher qual é a instituição de que mais gostamos. Todas elas cumprem funções indispensáveis. Todas geram trabalho umas para as outras. É preciso que trabalhem entrosadas, mas isso só é inteiramente possível se os respectivos efetivos forem bem balanceados. Bola dentro da Sesp. A torcida aguarda ansiosa.