Analisar um pacote de medidas em curto espaço editorial exige vários artigos. Desta vez, vamos falar do anúncio de concurso para diversas áreas da PM. Seu anúncio junto a outras providências não é tão óbvio quanto parece, uma vez que decididamente não pode trazer nenhum efeito de curto prazo. De fato, o próprio governo estadual admite que esse reforço não estará nas ruas senão daqui a uns dois anos. Além disso, não está alinhado ao objetivo das outras ações apregoadas.
O anúncio revela uma clara preocupação em retomar a tendência de queda no número de homicídios, motivo da criação de 4 Companhias Independentes. Ora, o patrulhamento preventivo, vocação da PM, tem pouco efeito direto sobre esse tipo de crime, embora possa contribuir de maneira indireta, apreendendo armas, evitando confrontos entre traficantes etc. Portanto, esse reforço no efetivo provavelmente se refletirá mais em segurança patrimonial e nas prisões em flagrante, principalmente de traficantes.
Por outro lado, um reforço na tropa se compete com melhorias salariais, verbas para custeio e investimentos. No Brasil inteiro, historicamente, isso é muito mal equilibrado, resultando por exemplo, em restrição de combustível, falta de computadores, menos treinamento que o ideal etc. Além disso, essa linha de ação implica aumento da população carcerária, já muito superior à capacidade do sistema prisional.
Por tudo isso, a decisão de realizar concursos deve ser vista sempre como estratégia de médio e longo prazos, mediante informações de que só a Secretaria de Segurança dispõe. Não é, em hipótese alguma, uma medida emergencial e muito menos terá impacto imediato ou intenso, mas diluído ao longo das três décadas seguintes. Anunciá-la junto a recriação do BME, portanto, tem apenas um sentido simbólico ou, como analisado em A Gazeta, político.
Com mais forte razão, preencher vagas no quadro de saúde da PM pode, no longo prazo, contribuir par a motivação das tropas