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Segurança pública

De Vitória em Vitória, a curiosidade pública faz vítimas

A lista de suspeitos de torturar, abusar e matar Vitória foi crescendo a cada dia, o que é natural em uma investigação desse tipo. Incorretos foram a revelação e/ou vazamento precipitados da identidade dos investigados

Publicado em 16 de Março de 2025 às 02:00

Públicado em 

16 mar 2025 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Vitória Regina foi assassinada na Região Metropolitana de São Paulo
Vitória Regina foi assassinada na Região Metropolitana de São Paulo Crédito: Reprodução
Acho que muitos dos leitores devem ter acompanhado ou pelo menos tomado conhecimento do assassinato de uma jovem chamada Vitória, em São Paulo. O crime foi tão bárbaro que ganhou repercussão nacional. Até aí, tudo bem, mas a cobertura jornalística e a divulgação nas redes sociais retratam a necessidade de um grande cuidado das polícias no relacionamento com a imprensa e influenciadores digitais, inclusive os internos.
A lista de suspeitos de torturar, abusar e matar Vitória foi crescendo a cada dia, o que é natural em uma investigação desse tipo. Incorretos foram a revelação e/ou vazamento precipitados da identidade dos investigados. Mais do que apenas manchar para sempre a reputação dessas pessoas, mesmo que nem sequer venham a ser formalmente acusadas, essa divulgação coloca em grave risco a vida de cada uma delas, pois todos sabemos o nível de indignação pública que esse tipo de crime causa até entre bandidos.
É claro que a imprensa também precisa ter cuidado e um bom jornalista deve conferir os fatos que noticia. Não devemos perder de vista as lições do caso da Escola Base, em SP/1994. Acontece que mesmo um profissional consciencioso não está em condições de avaliar que uma informação, às vezes oficialmente revelada, era prematura e que no dia seguinte apareceria mais um suspeito, e mais outro e mais um quarto etc.
Muito menos há como conter os milhões de postagens pulverizadas na internet ou circulando por aplicativos de mensagens. Em outras palavras, é na fonte, literalmente, que deve se concentrar o cuidado, até porque só as polícias têm, realmente, condições de avaliar a consistência e a maturidade das suspeitas para só então torná-las públicas. Bem, estou falando de polícias, mas é claro que isso se aplica ao MP e mesmo ao Judiciário e, de resto, qualquer órgão público que eventualmente esteja em uma situação parecida.
Enquanto isso, outra questão paralela ganha relevância: a dos policiais que criam perfis nas redes sociais e outras plataformas da internet. Qualquer servidor público, queira ou não, representa o Estado 24 horas por dia, a depender do contexto. Especialmente quando menciona seu cargo, aparece fardado ou uniformizado e coloca símbolos públicos esse servidor já não fala somente por si, mas também pela instituição que integra. Portanto, não está exercendo exclusivamente o seu direito individual de expressão. Fora que não é legalmente permitida a promoção pessoal de ocupante de cargo público, especialmente com fins eleitorais.
A segurança é a pauta do momento, seja na imprensa, seja nas redes sociais e, principalmente estas últimas, estão colocando um desafio importante para a administração das polícias: gerir a sua comunicação institucional em tempos de internet e da potencialização do gosto popular pela violência e pelo crime. Se não tomarem cuidado, podem se ver atropeladas pelas novas mídias.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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