Nesta semana tivemos uma pequena novidade: um efetivo de cerca de 50 policiais da Força Nacional de Segurança, que já foi um pouco maior, está deixando o Espírito Santo, sem resultados perceptíveis durante o tempo em que aqui permaneceu. Quando vieram, esta coluna já havia registrado que não se deveria alimentar muita expectativa; também não é o caso de ninguém se preocupar agora.
A Força Nacional de Segurança é formada principalmente por integrantes das polícias estaduais, desfalcando-as. Embora recebam treinamento e equipamento adicional, quando são enviados geralmente não conhecem o território, não estão entrosados com os policiais e autoridades locais, enfim, estão privados de condições essenciais para desenvolver o seu trabalho.
Também devemos lembrar que esses profissionais passam longo tempo afastados de seus familiares e amigos. Por outro lado, os custos com diárias e transporte são elevadíssimos. Hospedá-los nos locais aonde são enviados é sempre uma tarefa difícil.
A tudo isso, devemos acrescentar que a permanência da FNS é temporária – na verdade, deveria ser curtíssima. Essa instituição foi criada para atender à necessidade pontual de reforço, seja por conta de grandes eventos esportivos ou artísticos, seja por crises momentâneas, tais como greves de policiais ou rebeliões em presídios.
Enfim, apenas para apagar incêndios. Um problema crítico pode ser resolvido com medidas de curto prazo, mas os desafios crônicos simplesmente não devem ser enfrentados dessa maneira. No final de contas, que diferença 100 policiais poderiam fazer em meio a um efetivo de mais de 10 mil, ainda mais sem estarem ambientados?
Já passou da hora de a União Federal assumir sua parcela de responsabilidade na segurança pública, mas com seus próprios contingentes, seja reforçando as suas instituições já existentes, seja criando outras que considere convenientes. Tirar efetivo dos Estados para essa finalidade é destampar um santo para cobrir outro. Tudo isso vem sendo feito a um custo financeiro e humano injustificável, especialmente se comparado aos resultados que razoavelmente se poderiam esperar, dadas as condições de trabalho.
Claro que devemos reconhecer toda atenção e ajuda que recebermos, devemos nos despedir com gratidão desses profissionais que aqui tanto se esforçaram, mas a União faria muito melhor se desse a devida atenção às suas próprias forças policiais e aceitasse parte mais significativa do encargo proteger o cidadão.