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A volta dos que não foram

Forte reação das instituições à nomeação na PF já era esperada

O Executivo vai praticando a mais inusitada fritura do próprio pé, desgastando sua autoridade por uma simples função gratificada, já que o diretor da Polícia Federal só pode ser escolhido entre os delegados de carreira

Publicado em 03 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 mai 2020 às 05:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Polícia Federal
Policiais federais Crédito: Divulgação
Esta coluna precisa ser entregue com alguma antecedência, então escrevo logo após ler a manchete de que o STF suspendeu a nomeação do novo diretor da Polícia Federal e, já pronto o texto, tenho que voltar a ele porque o ato foi tornado sem efeito pelo presidente da República.
Antes de mais nada, contudo, quero reivindicar meu reconhecimento como vidente, já que gravei, no mesmo dia em que esse assunto foi ventilado, uma videocoluna dizendo que haveria forte a reação da própria PF, do Ministério Público e do Judiciário a qualquer vaga suspeita de ingerência no seu funcionamento. Tudo bem que bastava conhecer um pouco essas três instituições, mas ainda quero um diploma do Instituto Nostradamus.
Depois, vem à mente uma série de frases feitas: “A volta dos que não foram”, “a cauda abanando o cachorro” (com sua variação “o poste urinando no cachorro), etc. Para quem não se deu conta, para fazer essa nomeação, Bolsonaro não apenas abriu mão do ex-juiz federal Moro, um dos pilares de sustentação do seu governo perante a opinião pública, como passou vários dias buscando um ministro da Justiça que fosse da confiança do ex-ex-diretor da Abin.
Enquanto isso, três dos mais importantes órgãos públicos federais permaneceram em suspense e, se não acéfalos, dirigidos por substitutos provisórios, ao passo que o Executivo vai praticando a mais inusitada fritura do próprio pé, desgastando sua autoridade por uma simples função gratificada, já que o diretor da Polícia Federal só pode ser escolhido entre os delegados de carreira. Além disso, ele tem atribuições muito mais burocráticas e de representação do que operacionais.
Não é a primeira vez que surgem laços entre o decisor e aquele que lhe provê inteligência. Podem ser ligações de confiança, mas também de dependência. Por precaução, os serviços de informações ocidentais têm como regra assessorar as decisões, mas nunca participar delas. Já na Rússia, Putin não deixa de ser um “agente secreto” que se elegeu o próprio órgão máximo de deliberação daquele país, de certa forma reunindo as duas funções.
Em todos os casos, as fronteiras são tênues, e os riscos, elevados. Em 1918, tivemos a epidemia de gripe espanhola. Parece que certos eventos gostam de se repetir a cada século. Bem, assombração sabe para quem aparece, e certos pratos não deveriam ser preparados na cozinha. Seguindo o estilo indecifrável do famoso profeta francês, que hoje seria intitulado futurólogo, tenho dito.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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