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Segurança pública

Não existe pecado do lado de baixo do Equador

Nunca fui ao Equador, não tenho informações de primeira mão sobre o que está acontecendo lá e só posso dizer que tem um monte de gente querendo tirar proveito eleitoral dessa barafunda, lá como cá

Publicado em 14 de Janeiro de 2024 às 01:00

Públicado em 

14 jan 2024 às 01:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Militares patrulham área residencial no norte de Quito, no Equador, nesta quinta-feira (11), em meio à escalada da violência no país
Militares patrulham área residencial no norte de Quito, no Equador, nesta quinta-feira (11), em meio à escalada da violência no país Crédito: DOLORES OCHOA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Por alguma razão ignorada, meus amigos, apesar de muitos terem formação em relações internacionais, não aderiram à onda de novos especialistas na geopolítica criminal do Equador, mas não deixa de ser impressionante a quantidade de matérias opinativas publicadas, com os mais variados vaticínios sobre o desfecho da crise de segurança em nosso país quase vizinho (não temos fronteira). Fora as mais delirantes versões imputando a culpa ao presidente Daniel Noboa, empossado há menos de dois meses.
Nunca fui ao Equador, não tenho informações de primeira mão sobre o que está acontecendo lá e só posso dizer que tem um monte de gente querendo tirar proveito eleitoral dessa barafunda, lá como cá. E, por estranho que pareça, Noboa não se mostra tão afoito em falar nem tão entusiasmado com as perspectivas de isso lhe garantir uma reeleição fácil, por um motivo muito óbvio: é mais fácil ele sair chamuscado dessa história do que resolver o problema com um passe de mágica.
Contudo, há algumas informações e análises que se mostram mais ponderadas e confiáveis. Em primeiro lugar, parece que soluções para o tráfico na Colômbia na verdade apenas transferiram grande parte da atividade para o Equador. Também parece que o país era meio parecido com o Rio de Janeiro: sistema carcerário precário e muita corrupção entre as forças de segurança.
Tudo isso criou o caldo suficiente para a formação de organizações criminosas um tanto semelhantes às nossas facções, que disputam à bala o proveitoso “mercado”. A taxa de homicídios se multiplicou por 6 em 7 anos.
A política daquela região da América Latina tem sido profundamente influenciada pelas medidas do presidente Nagib Bukele no enfrentamento das organizações criminosas. Contudo há um ingrediente adicional: em El Salvador as “maras” aparentemente não têm papel relevante no tráfico internacional e o comércio de substâncias ilegais sequer é sua principal fonte de receita. Portanto, mesmo que o encarceramento sumário em massa dê certo em El Salvador, não implica que funcionará em todo lugar.
Noboa também adotou um discurso muito diferente em relação ao respeito aos direitos humanos e começou fazendo prisões por atacado não de bandidos, mas de juízes supostamente corruptos e acumpliciados com as organizações de traficantes. Assim, embora também tenha trocado o adjetivo dessas organizações de “criminosas” para “terroristas”, e a despeito de falar em punições rígidas, parece estar reagindo com energia, mas sem a mesma teatralidade e com plano B.
Não me atrevo a palpitar sobre o que o futuro reserva para El Salvador, Equador, Guatemala etc. De tudo isso somente me fica uma quase certeza: a América Central e o norte da América do Sul vão se tornar os melhores “laboratórios” possíveis para a segurança pública, vai dar até para comparar políticas criminais parecidas e vizinhas em estudos longitudinais, isto é, analisando os fatos no longo prazo.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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