Esta semana, a grande novidade nos meios de comunicação foi o pedido de demissão do secretário de Segurança, Alexandre Ramalho. Algo previsível, que até demorou demais. Provavelmente ele estava cansado após décadas de luta contra o crime e, mais que isso, mordido pela mosca azul da política.
Depois da expressiva votação que teve nas eleições passadas, sempre achei que ele havia voltado para a secretaria mais por gravidade que por vontade: a cabeça e o coração continuaram em Brasília. Ele quer é batalhar em outros fronts, mesmo que ligados ao seu passado. Pode até ser que realmente dispute a Prefeitura de Vila Velha, mas duvido que este seja o seu verdadeiro sonho.
Há sempre algo de pueril em sua fidelidade, algo de racional em sua impetuosidade. E é óbvio que não pretende vestir o pijama. Contudo, cargos eletivos são disputados de 1 para 100 candidatos e ele sabe não há nada de garantido nessa “nova” trajetória de vida que o arrebatou e lhe deu uma nova motivação para continuar na vida pública.
Qual é o seu legado como secretário? Bem, apesar de adotar uma postura de muito mais confrontos entre policiais e criminosos, se não conseguiu desmantelar nossa primeira facção criminosa, ao menos não houve uma explosão de vítimas, porque a tropa está bem treinada e comandada – e já não estou falando apenas do topo da hierarquia.
Houve avanços no combate aos crimes patrimoniais e a trajetória de queda no número de homicídios foi sustentada, ainda que as estatísticas regionais não tenham sido homogêneas. Tudo bem que não inventou uma nova acrobacia, mas conquistou as pequenas vitórias cotidianas que são o mais importante. O novo secretário, seja quem for, herdará uma estrutura que continua eficiente e, nada obstante, capaz de absorver inovações e melhoras. E terá, como desafio, enfrentar o PCV.
Há bastante tempo cheguei à conclusão de que a principal habilidade de um chefe desta pasta deve ser a capacidade de mudar apenas o que realmente parecer necessário, sabendo aproveitar a equipe que já encontrar montada e dar continuidade a um trabalho que não era apenas de seu antecessor naquele posto, mas de milhares de policiais... Enfim, quanto mais forem deixadas de lado as vaidades e rivalidades, melhor tende a ser uma gestão da segurança pública; esse negócio de cavalo de pau é uma péssima ideia.
Como não há troca de governo, é de esperar que haja esse prosseguimento de equipe, políticas e estratégias após a sua substituição, o que é muito bom. O secretário interino não deixou a peteca cair em período anterior e não surpreenderia se fosse confirmado no cargo, mas algo me diz que o governador vai aproveitar para uma rotação de tropas, pois os comandos da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros já estão aí há bastante tempo – o que é bom, dá estabilidade, mas cansa, porque são fardos pesados e desgastantes.
Resumindo: para mim, pessoalmente, fico feliz em saber que um dileto amigo está cheio de vitalidade, correndo atrás de seus sonhos; para a população do ES, não há motivo para susto, pois tudo indica que todas as trocas que vierem a ocorrer não mudarão o modo como o time joga em campo, marcando seus pontinhos fora de casa.