O caminho mais direto nem sempre é o mais rápido ou o mais eficiente. Quem tiver curiosidade, veja no Google o que é uma braquistócrona. E fazer planos detalhados nem sempre é a melhor estratégia. Aliás, resultados brilhantes frequentemente não eram o objetivo inicial.
Nada disso é novo ou complicado de entender, mas sempre fica esquecido quando falamos de segurança pública. Todo mundo só pensa em uma maneira de combater a violência e o crime: o enfrentamento direto, prender ou matar bandidos, o maior número deles possível. Nem sequer nos lembramos do trabalho, da despesa, das dificuldades e das falhas potenciais referentes às ações criminais e à execução das penas.
No livro “A beleza da ação indireta”, John Kay nos adverte de que a localização do canal do Panamá foi determinada por conquistadores espanhóis, que nem sequer estavam procurando o oceano Pacífico, e que passar por ali implica inicialmente um desvio de rota que, depois, poupa muitos dias de viagem.
E nos lembra de que os estritos e detalhados planejamentos econômicos dos países comunistas acabaram sendo muito menos eficientes do que o caótico liberalismo econômico. Ele também cita um conjunto habitacional desenhado por Le Corbusier, que nós vamos substituir por um exemplo tupiniquim.
Brasília foi cuidadosamente pensada para alcançar 500 mil habitantes no ano 2000 e parar por ali. Hoje tem 6 vezes a população máxima para a qual foi pensada e a realidade atropelou a genialidade de Lucio Costa. A vida humana é muito mais complexa do que cabe em uma planta arquitetônica e não é fácil prever o comportamento da população e da economia, muito menos impor um que imaginamos como ideal.
Frisamos em diversas colunas anteriores que organizações criminosas são muito mais que vários criminosos reunidos, que elas têm uma superestrutura que permanece quando seus integrantes são neutralizados ou apenas saem de cena, e que lhes permite se adaptar e se recompor, regenerar partes amputadas etc. Confronto direto simplesmente não funciona.
Já demos, inclusive, um exemplo prático. Não adianta nada investir nas polícias se continuarmos deixando as prisões sob controle de facções. Uma melhoria drástica no nosso sistema carcerário é muito mais útil que aumentar o número de detentos. Aliás, chegamos à mesma conclusão utilizando a Teoria das Restrições, algo que se estuda na Engenharia de Produção e de que também já tratamos nestas colunas.
Como o espaço está acabando, deixaremos para falar com mais detalhes da educação como meio oblíquo de combate ao crime na semana que vem. Enquanto isso, sugiro ler John Kay, que está disponível na internet.