Em qual ambiente é permitido ou aconselhável xingar, desrespeitar e ofender? Palavrão é sinônimo de bom comportamento? É confortável ouvir discursos e entrevistas repletos de grosserias?
Ao conjunto da sociedade é determinado certos tipos de conduta. Da criança ao idoso, espera-se atitudes cordiais e minimamente educadas, isto é, não há espaço para obscenidades e insultos, seja nas igrejas, repartições públicas, no comércio, nas escolas ou em qualquer espaço coletivo.
Logo, a decência cobrada da população também vale para os políticos, afinal, são lideranças influentes e tudo que declaram acaba reproduzido Brasil afora. Assim, do humilde cidadão ao mais alto posto da hierarquia social, a exigência deve ser a mesma: educação, respeito e moderação nas palavras.
Infelizmente, a conturbada realidade brasileira segue afastada da diplomacia. Está nítido, das redes sociais aos personagens que frequentam o famoso “cercadinho” em Brasília, que a fundamental e agradável educação foi substituída pelo furioso e covarde ataque, ou seja, gritar, humilhar, ferir, acusar e mentir tornaram-se estratégias para intimidar o debate construtivo e calar quem pensa diferente ou faz perguntas incômodas.
Desse bate-boca raivoso e carregado de notícias falsas (fake news), que objetiva destruir, recomenda-se manter distância e não alimentá-lo. No entanto, é necessário continuar pregando o óbvio: arrogância, xingamentos e ofensas não podem ser normalizados e muito menos exaltados. Importa a todos, portanto, compreender que a construção de um país digno passa primeiro por valores como educação e respeito. Trata-se do básico das relações humanas e ninguém está dispensado de observar esses requisitos.
Dialogar e divergir educadamente sobre política, analisar argumentos e posturas, com criticidade e sem idolatria, é prática saudável e democrática. Agora, quanto aos que insistirem em atacar, usar palavras torpes e mitificar quem utiliza essa forma de discurso, cabe uma boa dose de paciência e até citar a Bíblia, aliás, um hábito, apenas quando conveniente, de algumas autoridades: “A boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34); “O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína” (Provérbios 13:3).