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Futebol

Conheça a história do primeiro jogo do Flamengo no Espírito Santo

O Commercial deixou como principal legado o fato de ter sido o primeiro a receber, no Espírito Santo, aquele que se tornaria uma das maiores potências esportivas do planeta

Publicado em 19 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

19 nov 2019 às 04:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

herinter@hotmail.com

Vista aérea de Muqui, no Sul do ES Crédito: Acervo/IBGE
O Clube de Regatas do Flamengo, referência do futebol brasileiro em 2019, estreou nos gramados do Espírito Santo no dia 4 de julho de 1926, no município de Muqui, em amistoso contra o alvinegro Sport Club Commercial.
Na partida, realizada num domingo de casa cheia, os clubes disputaram o “Troféu Muquyense F.C” e o Flamengo venceu por 3x0, gols de Roberto (2) e Fragoso. Apesar dos três gols aparentarem facilidade, para a imprensa da época o encontro interestadual foi equilibrado e os jogadores muquienses considerados “bons elementos”.
O Flamengo já mostrava força no período. O clube era o atual campeão carioca e dos atletas rubro-negros que jogaram no Sul do Estado, alguns passaram pela Seleção Brasileira, como o meio-campo Benevenuto, que posteriormente esteve na edição inaugural da Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. Por sua vez, o Commercial de Muqui, fundado em 30 de outubro de 1924, iniciava sua trajetória no futebol e na sequência do jogo contra os cariocas teria o mérito de ceder jogadores para a Seleção Capixaba que participou do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais de 1926.
O Commercial encarou o duelo com a seguinte formação: Lourival; Helleno e Eurico; Merival, Bio e Gomes; Arthur, Sylvio, China, Mineiro e Amaro. O clube carioca, que viajara desfalcado, triunfou com: Amado; Helcio e Pennaforte; Benevenuto, Alfredo e Moura; Newton; Chagas, Roberto, Fragoso e Allemand.
Encerrada a primeira passagem pelo Estado, os ilustres visitantes do Rio de Janeiro, segundo o jornal “A Noite”, receberam “as mais agradáveis atenções” dos dirigentes sulinos e regressaram vitoriosos levando dois “ricos troféus”, ofertados pelo Commercial e Muquyense F.C.
No tempo do amadorismo, não havia altos salários e a estrutura para a prática do esporte era precária. O goleiro do Flamengo que atuou em Muqui, Amado Benigno, chegou a conciliar o futebol e a profissão de médico, algo impensável no presente. A logística dos clubes também estava em outro estágio, com viagens de trem ou por estradas de chão, bem diferente do Flamengo de hoje, que aluga aviões executivos para propiciar conforto ao elenco.
Nos anos seguintes, o Commercial conquistou três títulos: campeão do Sul do Estado em 1931 e bicampeão da cidade de Muqui, em 1931 e 1933. Mesmo alcançando boa performance, o clube extinguiu suas atividades em 1935, deixando como principal legado o fato de ter sido o primeiro a receber, no Espírito Santo, aquele que se tornaria uma das maiores potências esportivas do planeta.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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