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Jace Theodoro

Na lógica machista, Tinder é usado como uma ratoeira

Não se sabe se o bom moço teve adesão do mulherio. Meninas, pulem essa casa, é o conselho do tio cronista

Publicado em 24 de Abril de 2019 às 20:44

Públicado em 

24 abr 2019 às 20:44
Jace Theodoro

Colunista

Jace Theodoro

jacetheodoro@uol.com.br

Crédito: Amarildo
O mundo virtual é montanha-russa de emoções. Quem se dispõe a viajar sobre os seus trilhos tem de preparar o estômago para os loopings, aquelas acrobacias causadoras de histerias aéreas, emoções à flor das amígdalas em gritos. A internet e suas redes nos oferecem histórias de sabores vários, algumas palatáveis como brinquedos de parque de diversões, outras que poderiam ser incendiadas sob a lona do circo de horrores.
E há aquelas estranhas, as que não sabemos ser motivo de riso ou espanto. Dessa vez, a história vem de um perfil do Tinder, o aplicativo de encontros amorosos, que me soa como fake news, mas absurdos maiores nas redes tornam crível a notícia. O sujeito, empresário de 36 anos, quer namorar com moça que tenha qualificações para trabalhar na sua empresa. É vaga dupla: no coração e no mercado de trabalho.
Pro barbudão empreendedor, como ele se define, não vale o ditado “onde se ganha o pão, não se come a carne”. O guloso quer pão, carne e circo. Panis et circenses! O detalhe é o barateamento dos custos: por 1.200 reais, a funcionária-namorada, de preferência com MBA e pós-graduação, poderá viver sua história de amor com o patrão.
Nem Demi Moore, quando estrelou “Proposta Indecente”, contava com essa boquinha assanhada. A ideia do empresário arranha as costas do mau-gosto e carimba o seu machismo sobre a dignidade das mulheres. A promessa de “mimos e noites inesquecíveis” poderia ser apenas um deboche, brincadeirinha dessas de grupo de amigos na mesa do boteco e, no entanto, soa no mesmo diapasão da agressividade cafajeste.
Homens acharam graça, mulheres zoaram o proponente amoroso, o sugar daddy (papais açucarados que gostam de bancar mulheres) com paladar de zero cal. A história ilustra o tipo de afago que move o instinto dos varões sobre o sexo que eles imaginam fraco. Podemos armar qualquer ratoeira com queijo prato que elas cairão de boca como se fosse roquefort sueco. Eis a lógica machista.
Não se sabe se o bom moço teve adesão do mulherio. Meninas, pulem essa casa, é o conselho do tio cronista. Com um pretendente desses, quem precisa de algema nos dedos?

Jace Theodoro

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