Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Política

A nova direita brasileira (e capixaba) está se formando

Aparentemente, estamos começando a superar a polarização que invadiu espaços públicos e privados nos últimos anos. Por inúmeros motivos e, por enquanto, é apenas uma tendência

Publicado em 15 de Julho de 2023 às 00:30

Públicado em 

15 jul 2023 às 00:30
João Gualberto

Colunista

João Gualberto

O ex-presidente da República Jair Bolsonaro
O ex-presidente da República Jair Bolsonaro ficou inelegível Crédito: Tãnia Rêgo/Agência Brasil
O capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro entrou em combustão desde que tornou-se inelegível, por decisão do TSE. Seus movimentos, tentando impedir a aprovação da reforma tributária e a desavença com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ampliaram a velocidade do desgaste. Isso acabou isolando, neste momento, o líder inconteste da direita brasileira, sobretudo de sua fração mais extrema.
Temos agora uma fragmentação da coalisão que permitiu a eleição de Bolsonaro em 2018 e a sustentação do seu governo. O estilhaçamento dessa imensa massa de partidos, políticos e instituições certamente vai reconfigurar o processo de poder, tanto em nível nacional como local.
Nacionalmente, a construção política realizada por Arthur Lira, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad na reforma tributária é uma demonstração do novo eixo de soluções políticas que se desenha. Aparentemente, estamos começando a superar a polarização que invadiu espaços públicos e privados nos últimos anos. Por inúmeros motivos e, por enquanto, é apenas uma tendência.
Em nosso Estado, outros elementos que influenciam a realidade estão sendo gestados. O fato de o governador Renato Casagrande não poder ser candidato a reeleição, e o ex-governador Paulo Hartung ter se afastado da cena política pública capixaba, abre caminho a muitas possibilidades de arranjo.
Com a redução do extremismo, capitaneado por Bolsonaro, a chamada pauta de costumes perde força, diminuem as narrativas nascidas no Brasil Paralelo com Olavo de Carvalho e ganham espaço as questões mais objetivas e mais econômicas, como mostram as pautas surgidas com a reforma tributária. E com isso, a centro-direita deve crescer.
A centro-esquerda tende a ficar sócia nos avanços que o governo Lula conseguir fazer. Assim, as placas tectônicas vão se movendo e novos arranjos tendem a surgir, inclusive regionalmente. São bastante evidentes os movimentos que estão fazendo a cúpula regional do PP - partido de Arthur Lira e Ciro Nogueira - sobretudo os deputados federais Da Vitória e Evair Melo. Também fazem parte dessa nova cena política o presidente da Assembleia Legislativa Marcelo Santos e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, ambos do Podemos. Isso para ficar em alguns exemplos. Afinal, não existe vazio no poder.
Caso Casagrande seja, de fato, candidato ao Senado como se especula, o vice-governador Ricardo Ferraço assumirá o governo. É candidato quase natural à reeleição, até para dar sustentação a candidatura do grupo político ao Senado. Ferraço não é homem de esquerda. Assim, o espaço que será aberto nacionalmente por uma centro-direita comandada por partidos como PP, PSD, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSDB e outros aqui no Espírito Santo será disputado de forma intensa por políticos muito experientes. A narrativa que cada grupo encontrar para os nossos desafios, e a aliança que fizerem com a sociedade civil, será central nos próximos movimentos.
O projeto político capixaba, inaugurado no limiar do século XXI, pode ter sua primeira inflexão em 2026, ganhando uma densidade de centro-direita mais clara, inclusive dentro do grupo político que hoje ocupa o Palácio Anchieta. A redução de importância da extrema-direita, e a recuperação da importância da centro-esquerda, situada em sentido antagônico ao da direita, é que ditarão os destinos dos fragmentos do legado do ex-presidente, agora inelegível. Toda essa acomodação é que temos que acompanhar, para poder decifrar os destinos políticos do Espírito Santo.

João Gualberto

É professor emérito da Ufes, doutor em Sociologia Política pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (França). Foi Secretário de Cultura do Espírito Santo entre 2015 e 2018. História e sociologia do cotidiano. Um olhar sobre o Brasil e o Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Liga Ouro de basquete 2026: Joaçaba elimina Cetaf
Cetaf perde Jogo 3 e é eliminado da Liga Ouro de basquete
Imagem de destaque
A revolta com soldado de Israel que vandalizou estátua de Jesus no Líbano
Imagem de destaque
Ataque a tiros em pirâmides do México deixa turista morta e várias pessoas feridas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados