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Política

A aparente renovação que não muda a política

Em outras palavras, a renovação é só aparente, porque o comando político é ditado pelas mesmas pessoas de sempre

Publicado em 04 de Agosto de 2023 às 00:20

Públicado em 

04 ago 2023 às 00:20
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados
Votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Quem se dedica a pesquisar a renovação dos quadros políticos brasileiros chega a uma curiosa constatação: são altas as taxas de renovação dos nomes que, a cada eleição, são eleitos para os legislativos municipais, estaduais e federal, mas quem comanda de fato os rumos políticos do país são os mesmos de décadas atrás. Em outras palavras, a renovação é só aparente, porque o comando político é ditado pelas mesmas pessoas de sempre.
Os legislativos brasileiros, a cada eleição, ficam recheados de caras novas. As Câmaras Municipais são um exemplo disso: em 2008, 77% dos eleitos não integravam a legislatura anterior; em 2012 foram 63% os novatos, em 2016, 59%; em 2020, 56%. No Espírito Santo, 67% dos vereadores foram trocados nas últimas eleições, assim como 53% dos deputados estaduais e 50% dos federais.
No plano federal, os números não são diferentes. Na Câmara dos Deputados, em 2018 a renovação foi de 47%; no Senado, 87%. Nas eleições passadas, de 2022, 47% dos eleitos eram novatos na Câmara dos Deputados; no Senado os novatos foram 38%. Dos 13 senadores que tentaram a reeleição, só cinco conseguiram.
E a vontade do eleitorado por renovação parece ainda ser grande: recente pesquisa constatou que 51% do eleitorado gostaria de votar em um candidato a prefeito que não integrasse os quadros políticos tradicionais, 41% querem trocar todos os vereadores e 32% gostariam de trocar pelo menos a metade dos atuais vereadores.
Entretanto, o que se vê entre os nomes que realmente comandam a política brasileira? Em regra geral, salvo honrosas exceções, são os mesmos nomes de sempre. No plano nacional, Bolsonaro, apesar de inelegível, e Lula. No Espírito Santo, com o afastamento da política estadual do ex-governador Paulo Hartung, a liderança inconteste que ficou é a do governador Renato Casagrande.
Como Casagrande não poderá disputar a reeleição, o vácuo está colocado, já que nem Hartung nem Casagrande formaram lideranças capazes de substituí-los com igual força política.
É bem verdade que aqui e ali surgem alguns nomes capazes de, no futuro, se projetarem nacionalmente como os dos governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, Romeu Zema, de Minas, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Mas, convenhamos, todos ainda são nomes de expressão regional que, se quiserem ter expressão nacional, terão que percorrer um longo caminho.
Mesmo que se considere que as próximas eleições presidenciais só ocorrerão daqui a três anos, é pouco provável que algum deles consiga, nesse período, alcançar os níveis de popularidade desfrutados, hoje, por Lula e Bolsonaro.
O cenário, tanto federal quanto estadual, aponta, desta forma, para um vazio de lideranças de expressão político-eleitoral fruto da incapacidade de nossos partidos de formarem novos quadros que possam canalizar o desejo latente do eleitorado por renovação política.
Em praticamente todos os partidos políticos há institutos de formação política que, infelizmente, não cumprem com o seu papel de formar novas lideranças. Mesmo o esforço de algumas organizações não governamentais, como o Renova BR e o Acredito, lançados em 2017, só foi capaz de obter alguns resultados pontuais como as eleições de Felipe Rigoni, em 2018, no Espírito Santo, e Tabata Amaral, em 2018 e 2020 em São Paulo.
Buscar as razões pelas quais o desejo do eleitorado pela renovação dos quadros políticos continua se frustrando, ano após ano, é o desafio que se coloca diante da política brasileira. Nesse esforço, vale investigar a contribuição que o nosso caótico quadro partidário dá para esse cenário na medida em que conta com uma imensidade de legendas sem conteúdo programático relevante e sem qualquer identificação com as mais legítimas aspirações do eleitorado, conduzidas pelos mesmos “donos” de décadas atrás.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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